Dilema profundo | aRede
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Dilema profundo

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Tiago Bubniak

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É impressionante a competência com a qual ‘Mil Vezes Boa Noite’, do diretor norueguês Erik Poppe, constrói um dilema diante do qual o espectador dificilmente ficará indiferente. O conflito, no caso, envolve a protagonista Rebecca, interpretada por Juliette Binoche.

Rebecca é uma renomada fotógrafa de guerra, cujo trabalho tem a extrema importância social de lançar os olhares justamente para regiões e conflitos que costumam repugnar o olhar, regiões e conflitos que, estrategicamente, são ignorados. Por outro lado, ela também tem duas filhas e marido: uma família que sofre tanto com a ausência quanto com os riscos da profissão da mãe e esposa.

É possível conciliar a carreira brilhante com o papel de dona de casa? O que deve prevalecer: o amor dos e para os mais próximos ou os cliques capazes de alterar o destino de milhares de pessoas marcadas por genocídio, escravidão sexual, tortura, estupro e tantas outras atrocidades?

‘Mil Vezes Boa Noite’ transcorre em um contexto no qual as decisões não são nada fáceis. E a forma como a história é contada repassa todas as indecisões integralmente para o espectador, demolindo julgamentos fáceis, estraçalhando deliberações simplórias.

Juliette Binoche está perfeita para o papel e, ao longo de quase duas horas, hipnotiza com sua interpretação comedida inserida em um roteiro muito sóbrio, com cada detalhe em seu devido lugar. Nikolaj Coster-Waldau responde à altura na pele do marido Marcus. A famigerada “química” entre casais também se estabelece aqui. E isso eleva ainda mais a qualidade do trabalho. Além de tudo, o desfecho, nada previsível, é coerente com a grandiosidade que o filme demonstra desde o início.

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