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Mais do mesmo por nossa culpa

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Tiago Bubniak

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Os seres humanos não passam de macacos quando apelam para o sangue derramado. E “macaco”, aqui, teria a significação de animal pouco desenvolvido em comparação à inteligência humana. Não é necessário acompanhar ‘Planeta dos Macacos – O Confronto’ para saber que essa é a mensagem do filme prequel do original lá de 1968, e da outra prequel, ‘Planeta dos Macacos – A Origem’, de 2011. O spoiler, de certa forma, já está no título em português. A história, agora dirigida por Matt Reeves (de ‘Cloverfield – Monstro’) basicamente gravita ao redor da frase que abre este texto. E não muito mais que isso. É como se houvesse um mantra martelando essa ideia, dos primeiros aos últimos minutos.

De qualquer forma, é válida a mensagem coletada em meio ao puro entretenimento e ao apuro técnico da finalização digital. Difícil acompanhar o embate entre símios e humanos, com moderados e agitadores em ambos os lados, e não recordar-se dos vários conflitos reais. Ainda  mais em uma época na qual a Faixa de Gaza (de novo!) atrai olhares entristecidos. É esse paralelo constante entre a ficção da telona e o real das telinhas que faz de ‘Planeta dos Macacos – O Confronto’ um filme respeitável, provocativo.

A produção envolve imagens cuidadosamente tratadas, números assustadores de pessoas envolvidas no processo e milhões investidos. Sim, está comentadíssimo o trabalho mais uma vez louvável de captura de imagens do ator Andy Serkis, que, assim como em 2011, faz a “alma” de César, o líder dos símios. Mas a história, em si, não tem grandes novidades, sendo possível antecipar falas e situações com facilidade, tamanha é a força com a qual aquela frase que inicia este texto permeia a narrativa. E suscita questionamentos do tipo: macacos que imitam seres humanos em tudo estão mesmo evoluindo?

Talvez a mensagem escolhida pelos idealizadores do filme seja assim tão previsível e insistente por nossa culpa e não do reducionismo típico de produtos palatáveis para multidões. Afinal, a raça humana, “inteligente” e “evoluída”, já arquitetou e pôs em prática tantas guerras que seus efeitos são conhecidíssimos. Ou, pelo menos, deveriam ser. E a insistência com que o “mantra” surge na história seria uma tentativa de exibir o quanto a raça humana pode (e consegue) ser patética.

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