Clinicão nega irregularidades e cita protocolo após ser indiciada em PG | aRede
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Clinicão nega irregularidades e cita protocolo após ser indiciada em PG

A Clinicão CRAR ainda manifestou a sua confiança na atuação ética, técnica e responsável dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos

As investigações tiveram início em março de 2026 após denúncias
As investigações tiveram início em março de 2026 após denúncias -

Publicado Por Milena Batista

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A Clinicão e três veterinários foram indiciados pela Polícia Civil do Paraná pelo crime de maus-tratos em Ponta Grossa, nesta quarta-feira (10). As investigações iniciaram após denúncias com registros audiovisuais que flagravam funcionários da clínica descartando irregularmente cães em via pública.

Em nota encaminhada ao Portal aRede, a Clinicão CRAR informou ter conhecimento da conclusão do inquérito policial e reafirmou que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.

"A instituição esclarece que os procedimentos adotados observaram os protocolos operacionais e técnicos aplicáveis ao caso, incluindo as diretrizes de Captura, Esterilização e Devolução (CED), metodologia amplamente utilizada em programas de manejo populacional de animais", declarou a clínica. 

A Clinicão CRAR ainda manifestou a sua confiança na atuação ética, técnica e responsável dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos. "Sempre exerceram suas funções pautados pelos princípios da medicina veterinária e do bem-estar animal".

Por fim, a clínica ressaltou que todos os documentos, registros e informações pertinentes serão apresentados aos órgãos competentes.

Confira a nota na íntegra:

"A Clinicão CRAR informa que tomou conhecimento da conclusão do inquérito policial e reafirma que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.

A instituição esclarece que os procedimentos adotados observaram os protocolos operacionais e técnicos aplicáveis ao caso, incluindo as diretrizes de Captura, Esterilização e Devolução (CED), metodologia amplamente utilizada em programas de manejo populacional de animais.

A Clinicão CRAR também manifesta sua confiança na atuação ética, técnica e responsável dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos, que sempre exerceram suas funções pautados pelos princípios da medicina veterinária e do bem-estar animal.

Todos os documentos, registros e informações pertinentes serão apresentados aos órgãos competentes, oportunidade em que a empresa exercerá plenamente seu direito de defesa".

Clínica e três veterinários são indiciados por maus-tratos a animais em PG

Conforme a Polícia Civil, ficou comprovado que dois cachorros, recolhidos previamente para castração por meio de um convênio público com o Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR), foram abandonados de forma desamparada na Vila Mezzomo, numa região erma, à margem de uma linha férrea ativa, localizada a mais de 7 quilômetros da comunidade onde os animais viviam e eram monitorados. Ao serem resgatados, os cães apresentavam desidratação severa e estavam com as incisões cirúrgicas abertas e com os pontos rompidos, sem qualquer proteção ou suporte analgésico.

No decorrer das diligências, vistorias técnicas e laudos periciais constataram que o estabelecimento operava em condições de insalubridade e descumprimento de protocolos sanitários. Entre as irregularidades identificadas pelas autoridades, apurou-se que animais de grande porte eram mantidos em baias pequenas que os impediam de ficar em pé ou girar.

Na área de isolamento sanitário, um felino diagnosticado com esporotricose, uma zoonose infectocontagiosa, foi mantido em enfermaria comum sem qualquer barreira ou sinalização. Adicionalmente, kits cirúrgicos eram guardados sem controle de esterilização e, na área externa, cadáveres de animais estavam condicionados de forma totalmente irregular em freezers ao lado de materiais perfurocortantes destampados, próximos a cadelas lactantes com ninhadas recém-nascidas, onde um filhote já se encontrava morto e sem assistência. Foi constatado, ainda, o uso de instrumentos inadequados em procedimentos cirúrgicos, que resultou em danos físicos a um animal.

A defesa dos investigados alegou que o descarte se tratava do cumprimento do protocolo internacional "CED" (Captura, Esterilização e Devolução). Contudo, a Polícia Civil refutou completamente a tese, reforçando que o protocolo exige de forma cumulativa a plena recuperação do animal em ambiente asséptico, cicatrização completa, microchipagem e devolução rigorosa ao exato local de origem. Soltar animais debilitados com feridas abertas em quadrante geográfico totalmente diverso e perigoso desnatura o instituto e configura ato inequívoco de abandono e descarte de resíduos vivos.

Diante do robusto arcabouço probatório, a Polícia Civil fundamentou o indiciamento dos envolvidos pelo crime de maus-tratos aos animais, com base na concorrência de condutas e na quebra de deveres jurídicos fundamentais.

Ficou demonstrado que os crimes de maus-tratos derivaram de decisões gerenciais e visavam o lucro financeiro direto da empresa em detrimento do bem-estar animal, esquivando-se dos custos operacionais de recuperação, medicação e alimentação pós-cirúrgica.

O caso foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público local para adoção das providências cabíveis. A equipe de Jornalismo do Portal aRede já entrou em contato com a Clinicão, em busca de um posicionamento da empresa sobre o caso, e aguarda retorno.

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