Igreja Católica celebra 100 anos de história em Ponta Grossa e região
Celebração do centenário será realizada neste domingo (10), no Centro de Eventos, e terá uma extensa programação religiosa
Impulsionada pelo crescimento da região no início do século XX, a Diocese de Ponta Grossa foi criada no dia 10 de maio de 1926, por meio de um decreto do Papa Pio XI. A decisão ocorreu durante um momento de expansão e reorganização da Igreja Católica no Paraná. Desmembrada da Diocese de Curitiba, a nova diocese surgiu a partir da articulação entre lideranças religiosas e políticas que visavam fortalecer a presença da Igreja Católica nas comunidades locais da região.
Parte das paróquias surgiram antes mesmo da criação da Diocese, em um período em que a fé católica avançava pelas comunidades do interior. Outras paróquias foram criadas ao longo do século, acompanhando o crescimento populacional e a expansão urbana dos municípios.
A Diocese de Ponta Grossa nasceu com 12 paróquias: Ponta Grossa, Castro, Cruz Machado, Guarapuava, Imbituva, Ipiranga, Ivaí, Palmas, Prudentópolis, Rio Claro, Tibagi e União da Vitória. Ainda no mesmo documento, foram criadas a Diocese de Jacarezinho e a então Prelazia de Foz do Iguaçu, também desmembradas da Diocese de Curitiba.
Após a fundação, a diocese passou por quatro anos de período vacante, em que Dom João Braga, bispo titular de Curitiba, foi nomeado como Administrador Apostólico. Apenas em 1930, Dom Antônio Mazzarotto foi escolhido para pastorear a Diocese de Ponta Grossa. Seu episcopado durou 35 anos e foi marcado pelo fortalecimento da atuação da Igreja Católica nas comunidades locais.
Dom Mazzarotto foi sucedido por Dom Geraldo Micheletto Pellanda, que conduziu a diocese entre 1965 e 1991. Durante o episcopado, a igreja local vivenciou um dos períodos mais emblemáticos de sua história: a demolição da antiga Catedral Sant’Ana, em 1978.

ANTIGA CATEDRAL
Segundo informações de acervo da Prefeitura, disponíveis no site Ponta Grossa Histórica, a primeira Catedral Sant’Ana foi construída em 1823, quando o município possuía o status de freguesia. Em 1863, o espaço passou pela primeira reforma. Com o desenvolvimento do município, surgiu a necessidade de ampliação do templo. O arquiteto italiano Nicolau Ferigoti foi o responsável pela elaboração do novo projeto, idealizado na década de 1900 e concluído em 1923.
A nova igreja seguia referências europeias e foi construída no ponto mais alto da cidade. O historiador Felipe Soares destaca que a escolha da localização já indicava o papel central que a Igreja Católica possuía naquele momento. “A construção no ponto mais alto da cidade cumpre o papel simbólico e reflete um contexto em que o catolicismo era a religião oficial do Brasil, garantida pela Constituição”, diz. Em 1926, três anos após a inauguração, a igreja Sant’Ana foi elevada à condição de catedral.
A partir da década de 1940, a estrutura da igreja começou a apresentar problemas e os bispos buscaram alternativas para evitar a demolição. Contudo, o processo não foi evitado em 1978. Soares revela que a demolição da antiga Catedral Sant’Ana marcou um momento de debates no município, pois ela ocorreu em meio a um período de crescimento urbano, industrial e agrícola de Ponta Grossa. “O discurso da modernidade ganhava força na região e a decisão de demolir a antiga catedral não foi consensual. Parte da população defendia a preservação do prédio pelo seu valor simbólico e histórico, enquanto outros apoiavam a substituição por uma nova estrutura alinhada ao avanço da cidade. Além das questões simbólicas, também havia problemas estruturais na antiga construção, o que reforçou os argumentos favoráveis à demolição”, explica o historiador.
NOVA CATEDRAL
No mesmo local, foi construída uma nova catedral, com outro projeto arquitetônico, que permanece até hoje. A atual estrutura possui 2.250 metros quadrados no espaço interno, comporta 1.200 pessoas sentadas e tem altura de 61,9 metros. Já o subsolo possui 3.650 metros quadrados e conta com um ossário, banheiros, museu e estacionamento.
Apenas em 23 de julho de 2009 as obras foram oficialmente concluídas. Até o término da construção, as celebrações foram celebradas em outras igrejas na região central. A inauguração ocorreu em uma celebração solene, com a presença do Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, representante do Papa Bento XVI no Brasil, do bispo Dom Sérgio Arthur Braschi, de padres, religiosos, seminaristas, autoridades civis, militares e população em geral.

Além de ser um espaço de celebrações religiosas, a Catedral possui um acervo que registra a trajetória da Igreja na região. Segundo o atual pároco da Paróquia Sant’Ana, padre Claudemir Nascimento Leal, a catedral exerce a função de “igreja mãe” da Diocese. “A Catedral é a igreja mais importante da cidade e da Diocese de Ponta Grossa, porque ela é a sede do bispo, de onde partem as orientações para todas as paróquias da região”, destaca.
Ao longo dos anos, parte do acervo foi perdida, especialmente após a demolição da antiga estrutura. Ainda assim, o trabalho de preservação segue em andamento. “Se teve a ideia de reunir aquilo que restou. Muitas coisas desapareceram, mas o que temos aqui ajuda a contar um pouco dessa caminhada”, diz o padre.
Entre os itens preservados estão objetos litúrgicos, vestes antigas de padres e bispos e itens litúrgicos utilizados em celebrações antes do Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960. A jornalista Luana Caroline Nascimento, que atua na preservação dos itens, afirma que o acervo auxilia na compreensão de diferentes períodos da igreja local. “São objetos que mostram como a igreja se apresentava em outras épocas e como ela se transformou ao longo do tempo. São detalhes que despertam curiosidade e aproximam as pessoas da história”, destaca.
DEVOÇÃO REGIONAL
O desenvolvimento da Diocese também passa pelos santuários e locais de devoção. Em Piraí do Sul, o Santuário de Nossa Senhora das Brotas é uma das principais referências de peregrinação da Diocese. Em Imbituva, a devoção a Santo Antônio mantém forte presença na vida devocional do município e nas comunidades locais.
Ao longo dos cem anos, congregações, institutos e ordens religiosas contribuíram em áreas como evangelização, educação, saúde, assistência social e formação cristã. A atuação conjunta entre religiosos, clero diocesano e leigos ajudou a consolidar a presença da Igreja em diferentes realidades do território.
A diversidade cultural dos Campos Gerais também integra a identidade da Diocese. Comunidades de origem polonesa, ucraniana, italiana, alemã e de outras tradições influenciaram costumes religiosos, celebrações, cantos e devoções preservados nas paróquias e comunidades.
Atualmente, a Diocese de Ponta Grossa reúne atualmente cerca de 640 comunidades, organizadas em 52 paróquias de 17 municípios dos Campos Gerais e Centro-Sul do Paraná. Integram a diocese Carambeí, Castro, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbaú, Imbituva, Ipiranga, Irati, Ivaí, Ortigueira, Piraí do Sul, Ponta Grossa, Reserva, Teixeira Soares, Telêmaco Borba, Tibagi e Ventania. A população estimada atual da área diocesana é de 811.506 habitantes. Em 2018, a população estimada era de 787.553 habitantes. Em 6 anos, o acréscimo foi de aproximadamente 24.000 habitantes.
EPISCOPADO
A Diocese de Ponta Grossa chegou ao sexto bispo em cem anos de história. Veja a lista completa:
GALERIA DE FOTOS
CENTENÁRIO
A Diocese de Ponta Grossa vive neste fim de semana um dos momentos mais importantes de sua trajetória. A celebração pelos 100 anos da Diocese acontece neste domingo, no Centro de Eventos de Ponta Grossa, com uma extensa programação religiosa, acolhida de fiéis de 17 municípios e a consolidação de cinco novas paróquias criadas na cidade ao longo de 2025.
O jubileu marca um século de atuação da Igreja Católica nos Campos Gerais e deve mobilizar milhares de pessoas durante todo o dia. Segundo a organização, os portões do Centro de Eventos serão abertos às 10h da manhã, com estrutura preparada para receber aproximadamente 10 mil pessoas em espaço coberto, além de estacionamento gratuito e áreas específicas para representantes paroquiais, ministros, catequistas, diáconos, seminaristas e equipes litúrgicas.
A programação oficial terá início às 13h, com acolhida nos portões e recepção das caravanas. Na sequência, às 13h15, ocorre a “Central do Centenário”, transmissão ao vivo diretamente do Centro de Eventos pelas plataformas oficiais da Diocese, Rádio Sant’Ana e TV Evangelizar.
Já às 14h acontece a acolhida geral dos participantes e, às 14h15, a abertura oficial do Jubileu do Centenário. Um dos momentos mais simbólicos da tarde será a entrada das paróquias da Diocese, organizada em ordem cronológica de criação das comunidades. Segundo a comissão organizadora, cada paróquia contará com representantes próprios e locais reservados dentro da celebração.
Outro ponto de destaque será a entrada solene da imagem da Mãe da Divina Graça, marcada para as 15h55. Logo depois, às 16h, acontece a Santa Missa em ação de graças pelo centenário da Diocese. O encerramento da celebração religiosa está previsto para às 18h, seguido por uma apresentação artística às 18h15.
A estrutura preparada para o evento também contará com praça de alimentação com food trucks, venda de lanches, bebidas e espaços de convivência para os participantes. A Diocese orienta os fiéis a chegarem com antecedência, levarem água, protetor solar e, se necessário, cadeiras ou banquetas para maior conforto durante a programação.

NOVAS PARÓQUIAS
Além da celebração centenária, a Diocese também vive um momento de expansão pastoral com a criação de cinco novas paróquias em Ponta Grossa. Foram oficializadas a Paróquia Santa Isabel de Portugal, com o padre Pedro Claudio Mendes; a Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, com o padre Marcelo Rodrigues do Carmo; a Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, conduzida pelo padre José Nilson Santos; a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, sob responsabilidade do padre Cristiano Marcos Rodrigues; e a Paróquia Santa Luzia, que terá como pároco o padre Rodrigo Ribas.
Os decretos de criação foram assinados entre os dias 8 e 13 de dezembro de 2025 e representam uma reorganização pastoral diante do crescimento populacional e religioso do município.
O atual bispo diocesano, Dom Bruno Elizeu Versari, destacou o significado histórico e espiritual da celebração. “Bispos, padres, religiosos, diáconos e leigos fazem parte dessa história. Para mim, poder conduzir esse momento é uma grande graça”, afirma.
Dom Bruno também reforça que o centenário vai além de uma comemoração institucional e representa um momento de fé coletiva e gratidão. “Precisamos da proteção de Deus, porque só as nossas forças humanas não são o suficiente. Queremos que a graça de Deus proteja todo esse caminho e alcance todos os membros das comunidades, proporcionando um verdadeiro momento de gratidão pela fé”, completa.
Programação do Centenário da Diocese de Ponta Grossa
• 10h | Abertura dos portões
• 13h | Acolhida nos portões
• 14h | Acolhida geral dos participantes
• 14h15 | Abertura oficial do Jubileu do Centenário
• 15h55 | Entrada Solene da imagem da Mãe da Divina Graça
• 16h | Santa Missa
• 18h | Encerramento da celebração da Santa Missa
• 18h15 | Apresentação artística



























