Qual a importância do voto? | aRede
PUBLICIDADE

Qual a importância do voto?

Imagem ilustrativa da imagem Qual a importância do voto?
-

Afonso Verner

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O resultado das eleições presidências no Chile deixa duas lições e uma pergunta. Vamos primeiro às lições? a primeira delas diz respeito ao posicionamento dos chilenos quanto a reformas sociais e, a segunda, revela a preocupação sobre a prática do voto facultativo. Eis a pergunta: qual é a importância do voto?

Michelle Bachelet teve 62,2% dos (poucos e miados) votos válidos do segundo turno, contra 37,8% da opositora Evelyn Matthei. A socialista Bachelet ganhou um cheque em branco e tem grandes compromissos para cumprir: durante a campanha a candidata de esquerda prometeu grandes e amplas reformas.

Já para Matthei o recado foi claro: a população chilena parece ter cansado de candidatos que privilegiem as classes mais abastadas e prefiram políticas públicas que não prezem pela igualdade social ou, pelos menos, por uma maior distribuição de renda.

O segundo recado é mais ameno e silencioso, mas não menos importante: apenas 26% da população chilena votou no segundo turno das eleições. Ou seja, menos de um terço dos chilenos se importaram em influenciar o futuro do país nos próximos anos. Aqui abro um parênteses para lembrar que um projeto semelhante tramita atualmente no Congresso Nacional.

Há quatro décadas um homem chamado Salvador Allende chegava a presidência chilena também com menos de 30% da população participando dessa escolha. Preciso dizer o resultado? O Chile viveu um dos períodos mais negros da história e que, até hoje, tenta superar, passo a passo, as marcas de um regime que matou milhões de pessoas e deixou profundas feridas.

Desse cenário emerge uma questão: qual é a importância do voto? Nas democracias é através dele que legitimamos (e damos aval) para que determinados indivíduos tenham o direito de governar. Gostemos ou não, somos ‘obrigados’ a dar nosso voto de confiança a um político para que ele nos represente – é isso o que nos dá a mínima estabilidade política a uma democracia.

Existe também o outro lado da moeda: o brasileiro está (quase como um todo) extremamente decepcionado com os políticos. Não sou eu que digo isso, pesquisas apontam para esse caminho há anos, principalmente depois de um homem chamado Fernando Collor de Mello passou pela Presidência desse país tropical.

Talvez isso sirva para alertar os defensores do voto facultativo no Brasil: deixar que um cidadão possa não ter a responsabilidade de escolher seus representantes talvez se torne algo perigoso, além de não ajudar no amadurecimento da nossa jovem democracia. Cultura política se adquire nas escolas e no convívio em sociedade - desobrigar o cidadão de votar parece não ser o caminho ideal.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right