O mito da inclusão social na ‘Black Friday’ brasileira

Está na moda! A sexta-feira de “sensacionais” promoções é tradição nos EUA e agora se tornou sensação no Brasil. Mas há uma grande diferença no significado real que a data tem para os gringos e o que ela realmente significa no Brasil.
Enquanto nos EUA a ‘Black Friday’ representa um verdadeiro limpa estoque – no sentido literal da coisa – no Brasil a data se tornou mais um dos modismos essenciais para se “fazer” parte da classe média.
Pseudos-descontos tomaram conta de sites e lojas tupiniquins, mas comprar algo na ‘Black Friday’, mesmo que seja pelo mesmo preço de dias normais, se tornou essencial e causa de vida ou morte. Caso contrário, você não entrou na moda.
Filósofo de origem campesina, o francês Pierre Bourdieu trabalhou o conceito de “distinção pelo consumo”. Ou seja, somos melhores ou piores que alguém por aquilo que consumimos – para quem tem duvidas é só dar um pulo no shopping center mais próximo e dar uma observada pelos corredores.
Precisamos consumir na ‘Black Friday’ para participar da promoção e do momento festivo, mesmo que os preços sejam, no final das contas, os mesmos e as filas sejam ainda maiores e mais demoradas. Isso é fazer parte da classe média.
Como quem não quer nada além de “consumir” para se “distinguir”, a classe média brasileira se revoltou com os falsos descontos propostos por algumas redes de comércio. Fica a oportunidade de se (re)pensar a já ultrapassada distinção pelo consumo, principalmente em um país em que tanto fala de inclusão social, seja ela pelo consumo ou não.





















