Museu Campos Gerais lança exposição virtual sobre Copa do Mundo em Ponta Grossa
É a primeira exposição virtual organizada pelo MCG, e que conta com participação da memória popular para constante atualização

Ponta Grossa tem a sua própria Copa do Mundo. E foi com o objetivo de mostrar mais sobre isso que o Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCG-UEPG) inaugurou na noite desta quarta-feira (01) a exposição “Campos de Memória: a Copa do Mundo de Ponta Grossa”. É a primeira exposição virtual organizada pelo MCG, e que conta com participação da memória popular para constante atualização. O evento contou ainda com uma Roda de Memória, para resgatar histórias do futebol amador da cidade.
Na Copa do Mundo de Ponta Grossa, as seleções são times de futebol amador, que reúnem descendentes de uma mesma ancestralidade: entre 1978 e 2000, comunidades de Ponta Grossa se transformaram em seleções nacionais, disputando entre si a partir de suas identidades. A exposição virtual está ligada ao Laboratório Multiusuário de Humanidades Digitais e Inovação (Lahmudi), em integração ao trabalho do MCG e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH).
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Como ressalta o diretor do Museu Campos Gerais, professor Niltonci Batista Chaves, a exposição é o resultado da parceria entre estas três esferas. Ele também destaca a singularidade do trabalho: “a Copa do Mundo de Ponta Grossa é um evento que conta com quase 50 anos, tem uma larga tradição em nossa cidade, o que é muito característico da formação de uma cidade que recebeu pessoas das mais diferentes etnias”. O site traz materiais desde as primeiras edições. “Eu, como ponta-grossense, como criança na década de 70, fui assistir aos jogos, acompanhei a Copa e ver esta exposição é algo íntimo da memória”, relembra.
Esta viagem no tempo se traduz nas imagens, em que é possível conferir desfiles, trajes típicos e apresentações folclóricas, além de registros dos jogos e resultados. Todo o material resultou em fotografias e recortes de jornais, numa linha do tempo, que contam a história de um torneio que mobilizou gerações de moradores da cidade.
As imagens desta exposição vêm, em sua maioria, do Fundo Foto Elite, preservado no Museu Campos Gerais. “Por trás de tudo isso, está um princípio que nos guia hoje aqui, a história pública”, salienta Julia Graciela Machado, mestranda do PPGH. Além dos materiais, no site é possível conferir curiosidades, ficha técnica da Copa, além de ferramentas disponíveis para que pessoas colaborem com suas memórias e fotos pessoais, para enriquecer o acervo. “A interatividade da exposição não é só um recurso tecnológico, é um convite: queremos que a comunidade não apenas visite, mas participe, contribua e se reconheça nesse acervo”, enfatiza Julia.
História oral
A mestranda do PPH, Vitória Gabriela de Oliveira, conta que durante este semestre, os estudantes focaram em falar sobre fotografia e história oral. “Por isso, iniciamos nossa pesquisa a partir do acervo do Fundo Foto Elite e, posteriormente, ampliamos a investigação para os jornais da época, buscando compreender melhor esse importante evento que marcou a história da nossa cidade”. Para iniciar as atividades de contribuição da população ao acervo, o evento contou com uma roda de memória “O Jogo que a Cidade Jogou – Memória do Futebol Amador e da Copa do Mundo de Ponta Grossa”, com os convidados: professora Jeane Silvane Eckert Mons; radialistas esportivos Juca Francisquini e Cândido Neto; e o vereador municipal Ede Pimentel.
Com mediação da equipe, os quatro trouxeram memórias sobre o esporte amador da cidade. A exposição e a roda foram construídas pelos mestrandos Vitória Gabriela de Oliveira, Julia Graciela Machado, Hemerson Luiz de Oliveira Junior, Isabela de Fátima Barboza de Melo e Ana Clara Imianoski Jacopetti, que participaram de todas as etapas, da pesquisa no acervo à condução das entrevistas públicas.
O professor Robson Laverdi destaca que a atividade se deu numa perspectiva de história oral pública: “interessava menos a trajetória de cada narrador e mais o que, juntas, essas memórias revelam sobre a cidade. Ficou evidente que o futebol amador é um fenômeno de agregação social e de construção de pertencimento. A memória do esporte da cidade se constrói, assim, com a participação de quem a viveu”. A Copa do Mundo de Ponta Grossa existe há quase cinquenta anos e conta muito sobre a formação da cidade, segundo ele. “Ponta Grossa recebeu gente de muitas origens, sobretudo pela ferrovia, e nos anos 1970 essa diversidade ganhou forma de campeonato: times que representavam países, comunidades que se reconheciam neles”, conta.
A atividade também está ligada ao projeto “História Pública, Museologia Social, Inovação e Humanidades Digitais e Cultura Visual”, vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG). “A atividade foi coordenada por mim e pela professora Patrícia Câmera, docentes da disciplina Acervo, Memória e Patrimônio, cujos mestrandos passaram o semestre pesquisando o Fundo Foto Elite, um dos conjuntos fotográficos mais importantes dos Campos Gerais”, explica Laverdi. Assim, em vez da disciplina terminar em um relatório, os resultados dos debates retornaram para a cidade em duas formas: “a primeira exposição virtual do MCG e uma roda de memória aberta ao público, dentro do projeto Museu Escuta. É esse o sentido do Proext: o conhecimento produzido na universidade retorna à comunidade que o gerou”, completa































