Médico é preso suspeito de importunar adolescente de 15 anos em Campo Largo
Câmeras de segurança registraram a movimentação do suspeito na rua. Investigação aponta que ele usou uma desculpa para se aproximar da adolescente

Um médico que atua em cidades do Paraná foi preso preventivamente suspeito de importunar sexualmente uma adolescente de 15 anos em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o crime aconteceu na manhã em que a jovem seguia para o primeiro dia de aula de um curso de artes, no bairro Bom Jesus.
A prisão ocorreu após a investigação reunir imagens de câmeras de segurança, dados de monitoramento e o depoimento da vítima. Para a polícia, o suspeito agiu de forma planejada e utilizou uma desculpa para se aproximar da adolescente. As informações são do Portal Banda B, parceiro do Portal aRede.
Câmeras registraram abordagem da adolescente
De acordo com a investigação, a jovem caminhava pela rua por volta das 8 horas quando percebeu que estava sendo observada por um homem parado próximo a um mercado. Ela relatou que acelerou o passo, mas percebeu que o suspeito passou a segui-la.
Em depoimento por meio da escuta especializada — procedimento utilizado para ouvir crianças e adolescentes vítimas de violência —, a adolescente contou que o homem se aproximou e tocou suas nádegas, coxas e região da virilha.
Segundo o relato, o médico mostrou um pequeno objeto que segurava na mão e afirmou que seria uma mariposa ou outro inseto preso à roupa da adolescente. A justificativa teria sido usada para realizar os toques.
Durante o interrogatório, o investigado negou ter cometido abuso e afirmou que apenas tentou ajudar a jovem retirando um animal que estaria preso à roupa dela. Ele alegou que teria avisado a ela sobre o “bicho” e, após não conseguir tirá-lo, ela teria pedido auxílio a ele.
Polícia diz que suspeito esperou a vítima antes da abordagem
As investigações apontam que o médico estacionou o veículo antes da passagem da adolescente e permaneceu aguardando no local.
Imagens de câmeras de segurança e informações obtidas por radares permitiram que os policiais identificassem o automóvel utilizado, além da placa, chegando à identificação do suspeito.
Para o delegado responsável pelo caso, Luis Eduardo Trajano, há indícios de que a ação foi premeditada.
“Foram feitas diversas diligências com a finalidade de identificar esse autor que utilizava casaco, óculos e boné com a intenção, supostamente, de não ser identificado”, afirma Trajano.
Diante dos elementos reunidos, a Justiça decretou a prisão preventiva do médico.
Médico já responde por outro caso semelhante
Durante a apuração, a Polícia Civil verificou que o suspeito já responde a outro processo por fatos semelhantes registrados em 2024.
Na ocasião, ele foi preso sob suspeita de importunar sexualmente uma adolescente e uma criança em frente a escolas nas cidades de Laranjeiras do Sul, Pitanga e Guarapuava.
Segundo os investigadores, naquele caso ele também utilizava roupas que dificultavam sua identificação, como moletom com capuz e máscara cirúrgica.
A existência da investigação anterior foi um dos fundamentos apresentados pela polícia para solicitar a prisão preventiva, diante da possibilidade de reiteração do crime.
Defesa de médico preso por importunar adolescente afirma que prisão é desproporcional
Morador de Ortigueira, o médico informou em depoimento que estava em Campo Largo após um encontro pessoal em Curitiba e negou qualquer intenção de cometer abuso.
Ainda segundo o interrogatório, ele afirmou estar em tratamento psicológico e disse enfrentar um transtorno relacionado ao comportamento sexual.
“Eu iniciei um tratamento com hipnose, com psicólogo. Nós identificamos que devido a situações passadas de quando eu era criança me fizeram ser viciado em sexo”, declarou o suspeito.
A defesa sustenta que a prisão preventiva é desproporcional e informou que irá pedir à Justiça a revogação da medida.
O advogado Claudemir Torrente Lima também afirmam que a investigação não tem relação com o exercício da profissão do médico e que ele continuará apresentando sua versão durante o processo.
“Não se trata de nada relacionado ao exercício da sua profissão. O doutor continua sendo um médico respeitado, requisitado e muito reconhecido pelo seu profissionalismo, pelo seu zelo profissional”, afirma o advogado.





















