Crise afeta todos os setores da economia da região

Dois dos setores mais representativos da economia da região dos Campos Gerais apresentam retração neste ano de 2015. De acordo com informações repassadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, através de uma subdivisão segmentada da arrecadação fazendária, os setores de ‘comércio’ e ‘transportes e armazenagem’, que correspondem a 42,9% do montante arrecadado, apresentaram uma queda real (descontando a inflação) de 2,7% e 1%, respectivamente entre os meses de janeiro e setembro. No total, no entanto, somando todos os setores da economia, a queda real é ainda maior, de 4,26% (de R$ 1,50 bilhão em 2014 para R$ 1,58 bilhão em 2015).
“Essa parte de transporte é a vocação da cidade, com a arrecadação de R$ 158 milhões de janeiro a setembro. Se pegar mais o armazenamento, dá quase R$ 250 milhões, o que equivale ao comércio varejista. É algo bem representativo para a região e reflete a nossa economia: se pesgasse um relatório do Brasil, a gente teria uma outra realidade”, destaca Gustavo Horn, delegado da Receita em Ponta Grossa. Ele ressalta, no entanto, a retração do comércio varejista. “O que temos de maior isoladamente é o comercio varejista, com R$ 254 milhões arrecadados até setembro na região, contra R$ 250 em 2014. Considerando a inflação de quase 10%, houve uma queda”, diz. Neste caso, a queda real é de 7,92%.
Por outro lado, o comércio por atacado apresentou um crescimento real de 12,5%, com a arrecadação passando de R$ 108,8 para R$ 132,8 milhões. “Aparentemente estamos tendo mais empresas com recolhimento maior de tributos nesse ramo de atividade. Parece que não emprega tanta gente quanto o comércio varejista, mas ele tem uma cadeia muito grande de empregos, como as pessoas que fazem transporte, separação”, completa.
No setor primário e na indústria a retração da arrecadação foi ainda maior, com uma queda real de 14,8% e 13,8%, respectivamente. Contudo, Horn destaca que no caso da produção industrial e produção primária pode ter havido um crescimento nas exportações, o que pode justificar, em partes, a retração destes setores “Quando há exportações, não há recolhimento de tributos. Então não dá para dizer que o ramo está ruim, mas recolhendo menos tributos. Então talvez já esteja fazendo esses contratos de exportação. O setor de serviços e transporte é diferente, porque só se vende aqui”, completa. Segundo ele, não é positivo que ocorra um crescimento nas exportações, tendo em vista que isso encarece os produtos no mercado nacional, pela lei da ‘oferta e procura’, contribuindo para o crescimento da inflação.
Setor de serviços apresenta uma alta média de 14%
O setor de serviços e o relacionado a administração pública apresentam alta. A arrecadação através desses setores (excluídos o comércio e o setor de transporte) apresentou um crescimento real de 14%. “A construção de edifícios subiu praticamente a inflação, de R$ 25,3 milhões para R$ 28,3 milhões(2,5% de alta real). Obras de infraestrutura teve alta de R$ 17 milhões para R$ 23 milhões e os serviços especializados de construção subiu de R$ 12 para R$ 16 milhões. Então mostram uma trajetória levemente positiva”, diz Horn. Os dividendos de Administração Pública subiu 74%. “Isso é muito da arrecadação do Pasep. Fizemos um trabalho junto às prefeituras da região e muitas estão pagando Pasep com desconto nos repasses, já que são valores muito importantes aos municípios. Outras estão pagando mediante DARF”, completa.
Levantamento
O levantamento da receita federal abrange os 59 municípios atendidos pela Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa. Ele traz a arrecadação fazendária subdividida em 97 itens, separados por um código abrangência mundial – o Código Internacional de Atividade Econômica, classificação a qual é repassada, no Brasil, pelo IBGE.
Informações do Jornal da Manhã.





















