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Após polêmica, vereador deixa Câmara escoltado

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Afonso Verner

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Valdir Maldonado (PDT), presidente da Câmara Municipal de Jacarezinho, cidade na região norte do Paraná, teve que deixar o prédio do Legislativo no camburão da Polícia Militar. Valdir não foi preso, como alguns podem imaginar: na noite desta segunda-feira (03), o parlamentar se recusou a colocar em discussão um projeto de iniciativa popular que previa a redução dos salários dos parlamentares dos atuais R$ 6,2 mil para apenas um salário mínimo.

Os moradores queriam que a votação ocorresse já no primeiro dia de trabalho, após o recesso de julho - o que deixou a sessão tumultuada. No entanto, Maldonado usou o Regimento Interno da Casa para argumentar que os vereadores têm 90 dias para analisar a proposta. Se aprovada, a redução valerá a partir da próxima legislatura, ou seja, não afeta diretamente os atuais vereadores, a menos que sejam reeleitos.

A proposta não foi aceita pelos moradores que começaram a gritar palavras de ordem contra o vereador. O presidente, então, saiu do local sob vaias. A multidão perseguiu Maldonado na rua, por cerca de 100 metros. Devido ao tumulto, ele foi colocado em um camburão da Polícia Militar e conseguiu, enfim, deixar a Câmara.

Cidade vizinha deu exemplo

A iniciativa dos moradores de Jacarezinho foi inspirada por moradores da cidade de Santo Antônio da Platina. Em junho, um vídeo de uma moradora reclamando da votação em que os vereadores aumentavam os próprios salários viralizou na internet e mobilizou os moradores em torno da causa.

No dia seguinte, quando ocorreria a segunda discussão da proposta, os parlamentares foram surpreendidos com as galerias cheias durante a votação. Devido à pressão popular, os parlamentares acabaram reduzindo os próprios salários para R$ 970. Na proposta inicial, o presidente da Câmara teria um aumento de R$ 4 mil para R$ 8,5 mil e os demais vereadores receberiam R$ 7,5 mil. Atualmente, eles ganham R$ 3,7 mil.

Além dos vereadores, a população conseguiu também que o salário do prefeito fosse reduzido de R$ 14 mil para R$ 12 mil. Inicialmente, o valor atual iria subir para R$ 22 mil.

Camburão na assembleia

A situação de Valdir lembra o ocorrido com os deputados estaduais que chegaram de camburão à Assembleia Legislativa em fevereiro desse ano  para a votação do ‘tratoraço’. A Polícia Militar montou um cordão de isolamento para proteger os deputados, o que gerou tensão entre os manifestantes. A confusão deu origem ao que ficou conhecido como 'Massacre do dia 29 de abril'.

Com informações do G1

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