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Governo Lula diz que sanções dos EUA a brasileiros "suscitam preocupação"

Secretaria Nacional de Justiça diz que decisão "já era esperada" e que combate ao crime organizado não pode ser utilizado como "pretexto para medidas unilaterais"

Prédio do Palácio da Justiça, na Esplanada dos MInistérios em Brasília
Prédio do Palácio da Justiça, na Esplanada dos MInistérios em Brasília -

Publicado por Iolanda Lima

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A Senajus (Secretaria Nacional de Justiça), vinculada ao Ministério da Justiça, disse, nesta quarta-feira (1º), que as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a brasileiros investigados por suposta ligação com organizações criminosas "suscitam preocupação".

De acordo com o MJ (Ministério da Justiça), a decisão americana "não surpreende o governo brasileiro", o qual, segundo o MJ, é um "desdobramento" da recente decisão dos EUA de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na manhã desta quarta-feira (1º) a sanção contra dois cidadãos e três empresas brasileiras devido a supostos vínculos deles com o PCC.

Ainda segundo o MJ, o combate ao crime organizado internacional "não deve servir de pretexto para medidas unilaterais", as quais, na visão do governo do Brasil, podem ser acompanhadas de ações "ainda mais gravosas" e fora dos sistemas de cooperação global entre os dois países.

O Ministério também citou que as restrições aplicadas pelos Estados Unidos aos brasileiros podem causar efeitos "indiretos" para instituições financeiras brasileiras, que podem vir a ser alvo de "sanções secundárias". As informações são da CNN Brasil.

Alegações de vínculo com PCC

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou as sanções sobre dois cidadãos e três empresas brasileiras devido a supostos vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

As novas restrições tiveram como alvo Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Já as empresas são: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda (Victory Trading); Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave) – as duas de serviços financeiros – e a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave), do setor de construção.

Segundo o comunicado do departamento, Victor Shimada é um elo entre o PCC na Flórida e traficantes de drogas internacionais.

Ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (equivalente a cerca de R$ 155,8 milhões) em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos e arredores, usando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome da facção.

As autoridades americanas acusam Stella Stefanie de atuar como "secretária" de Shimada e intermediária para coleta de grandes quantias de dinheiro. Ela teria fornecido "serviços logísticos essenciais que apoiaram Shimada e sua rede em suas operações de lavagem de dinheiro".

"Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a presença crescente da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras", afirmou Gene Lange, que exerce as funções de Subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira.

"Ameaça do PCC"

O Departamento do Tesouro americano afirmou que o PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, "uma vez que suas operações em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de crimes".

O comunicado também classificou o Primeiro Comando da Capital como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental".

O texto destaca que, nos últimos anos, o grupo expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão.

"Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo da designação de hoje se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC", afirma o departamento dos EUA.

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