Jovens e bebidas alcoólicas: o que os pais podem fazer?

Jovens universitários disputando quem bebe mais. O que parece uma cena de filme aconteceu em uma festa em Bauru (SP). O resultado ganhou as manchetes pelo Brasil: uma morte, três internações em estado grave e diversos atendimentos por intoxicação. A festa universitária, em que uma das atrações era o concurso para descobrir quem aguentava beber mais vodca por minuto e era open bar (bebidas à vontade), tornou-se um grande debate nacional a respeito do excesso de bebidas alcoólicas por parte dos jovens. O que os leva agir assim?
“Para responder a essa pergunta temos que primeiro questionar qual o real valor do álcool em nossa sociedade. Observamos uma pressão social apelativa para o consumo cada vez maior. Quando você não bebe, tem sempre que justificar o porquê, pois não pode simplesmente não beber”, argumenta a psicóloga Marleide Mendes Borges, da Clínica Terapêutica Viva – unidade Brasília (DF).
O jovem, quando ingere cada vez mais álcool, quer sentir-se aceito pelo grupo em que convive. “O consumo em nossa cultura está ligado a simbologias: virilidade, resistência e maturidade, e é isso que quer se provar com esse tipo de disputa. Nos grupos de saídas, quem bebe mais geralmente é considerado o mais forte porque foi quem mais consumiu sem se embriagar, e é olhado com admiração pelo demais. E isso é tão evidente que muitas vezes jovens viram motivos de piadas e chacotas pelos colegas pelo fato de não beber, ou embriagar-se rápido, com piadinhas do tipo “não aguenta bebe leite” ou mesmo comparados a crianças e ‘filhinhos da mamãe’”, diz Marleide.
O papel dos pais no consumo de álcool
Segundo Marleide, os pais precisam prevenir o consumo de álcool desde cedo. “Em primeiro lugar, o exemplo tem que ser dado dentro de casa. Isso é fundamental para a formação do jovem e ajuda na queda dos paradigmas atribuídos ao álcool. É preciso que haja diálogo desde muito cedo para desmistificar o que a mídia e a sociedade têm plantado em nossas cabeças sobre o consumo.”
Aos que já têm filhos crescidos, é importante observar a relação dos jovens com o álcool. De acordo com um levantamento divulgado no ano passado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao menos 10% dos universitários apresentam alto risco de dependência.
A maioria dos dependentes químicos e alcoolistas tratados na Clínica Viva relatam que começaram com bebendo álcool desde muito cedo e, destes, vários afirmam que tomaram bebida alcoólica por incentivo dos pais ou familiares próximos. O fácil acesso à bebida é uma ameaça para os jovens que se tornam dependentes cada vez mais cedo. Além do risco de dependência, há maior exposição à doenças sexualmente transmissíveis, pois o jovem fica perde a inibição. Sem falar dos acidentes de trânsito causados pela embriaguez.
“Os pais devem ficar atentos sobre o motivo e a frequência desse comportamento do filho, pois, assim como pode haver apenas uma vez por curiosidade, também pode ser algo frequente. É importante sempre buscar orientação de um profissional qualificado para saber lidar com o problema e também para intervir o quanto antes se necessário”, orienta a psicóloga.
Quatro dicas básicas para os pais:
1) Exemplo dentro de casa
O exemplo dentro de casa é importante. Os pais devem evitar o exagero na frente dos filhos e, claro, jamais oferecer álcool para eles experimentarem.
2) Diálogo
Faz parte da natureza humana a curiosidade. Tenha um diálogo franco e amigável com os filhos sobre o álcool e suas consequências.
3) Apoio
Ensine o seu filho que ele não precisa provar para ninguém que é “bom de copo”. O valor dele como pessoa não está na quantidade de álcool que ele ingere.
4) Participe
Saiba quem são os amigos do seu filho e onde eles frequentam. Participar do dia a dia do filho ajuda a identificar possíveis comportamentos de risco.
Informações da assessoria.





















