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'Retrofit' moderniza a decoração da casa!

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De origem estrangeira (derivada do latim e do inglês) a palavra retrofit começou a ser usada inicialmente na engenharia e posteriormente ganhou significado na arquitetura e decoração. Retrofit significa modernizar, reformar. Mas não é qualquer atualização. Essa técnica tem o objetivo de revitalizar objetos, construções e móveis sem deixar que suas características se percam no processo. Ou seja, a intenção é buscar o renascimento da peça preservando sua memória.

Na arquitetura e decoração é mais comum o retrofit de móveis, porém, lustres e abajures começam a ser beneficiados por esse processo e os resultados têm feito a diferença na composição de diversos ambientes, tornando-os mais ricos, interessantes e cheios de detalhes e memórias. A designer de interiores Fabiana Visacro recebe muitos pedidos de clientes para esse tipo de serviço. “Quando a peça está na família há muito tempo e tem valor sentimental vale a pena executar o retrofit e manter a história da família ali, viva no ambiente”, defende.

A arquiteta Isabela Canaan destaca ainda outras duas situações em que retrofitar é interessante: “O retrofit é uma boa alternativa porque é uma solução sustentável. Retrofitar uma peça que talvez iria para o lixo, gerando mais poluição, é uma maneira de contribuir para a manutenção do meio ambiente. Outra vantagem dessa técnica é o custo. O retrofit de uma peça custa em média cinco vezes menos do que o valor de uma nova e o resultado fica tão bom quanto”.

De acordo com Fabiana, nem sempre o lustre ou abajur pode passar por um retrofit. “Se a parte elétrica não estiver em perfeito estado, o risco de se criar um problema ainda maior é bem grande, como um curto, por exemplo. Nesse caso, não indico fazer essa técnica”, salienta a designer. Isabela acrescenta mais itens à lista: “Não indico retrofit em peças de acrílico, por causa da sensibilidade, nem em peças de alumínio porque fica caro. Se o material for em vidro também não dá para trabalhar. Já em lustres e abajures de design não valem o retrofit, pois a peça perde valor de mercado”.

O retrofit de lustres e abajures denota que os profissionais têm buscado formas inteligentes de trabalhar e, ao mesmo tempo, reaproveitar materiais e ser sustentável. “Por meio do retrofit surgem ainda soluções criativas e a possibilidade de se ter peças únicas no projeto”, observa Fabiana.

E foi justamente isso que fez Isabela em um de seus projetos. “Um cliente tinha pés de abajures de prata lindos, mas bem desgastados e não sabia o que fazer com eles. Ele não queria perdê-los, pois eram presentes da mãe. Então, dei um banho de prata neles e comprei novas cúpulas. Hoje, os abajures integram a sala de estar do cliente com muito bom gosto e contam sua história”, detalha a arquiteta.

Edifícios antigos são transformados e reestruturados

Nos projetos de arquitetura, o processo de retrofit é utilizado para adicionar novos sistemas e tecnologias às construções, possibilitando a revitalização e a valoração de edifícios antigos e melhorando seu uso. “A estimativa de vida útil de uma edificação é de 50 anos; com o processo de retrofit é possível proporcionar um novo ciclo de vida de mais 40 anos às construções”, afirma Douglas Tolaine, diretor de Design da Perkins + Will no Brasil, escritório global de arquitetura e design interdisciplinar.
Tolaine explica que o universo de trabalho em retrofit para os escritórios de arquitetura é vastíssimo, pois no Brasil – ao contrário de outros países – a cultura de demolição não é tão presente. Além do aspecto cultural de preservação de patrimônio, também reforçam essa tendência a escassez de boas áreas disponíveis em locais estratégicos, a consolidação do tecido urbano, o valor de outorgas onerosas e do Certificado de Potencial Adicional de Construção (CEPAC), aliado ao longo e burocrático tempo para as aprovações de projeto, a complexidade de demolição ou implosão de edificações em zonas consolidadas e o tempo de construção de um novo edifício.

Informações do Jornal da Manhã.

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