Quando a separação do casal interfere nos negócios

Com um universo amplo de empresas familiares operando no Brasil, cerca de 90% em funcionamento nos dias atuais, é evidente que as relações particulares das famílias empresárias e os vários conflitos jurídicos que podem decorrer dessas relações são capazes de afetar negativamente a vida das sociedades das quais participam. Nesse contexto, separações e divórcios vivenciados por sócios de empresas, além de terem se tornado bastante frequentes nos últimos anos, também já são considerados um dos grandes problemas enfrentados no ambiente empresarial. Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os divórcios, no país, aumentaram em cinco vezes desde a década de 1980.
A advogada Monique de Souza Pereira, do escritório Souza Pereira Advogados, explica que muitos casais optam também por serem sócios nas empresas, e quando o amor acaba, a disputa judicial por bens ou pela direção dos negócios pode fazer com que as empresas percam credibilidade e valor de mercado.
A falta de um planejamento adequado, em relação ao patrimônio pessoal dos sócios e ao patrimônio das empresas é um exemplo de atitude que pode ser devastadora para o negócio. “São muitos os problemas que podem afetar a ‘vida’ de uma empresa, como a ausência de regras claras, a falta de organização, a interferência de terceiros nos negócios, as disputas por cargos entre familiares sem a devida capacitação profissional, a ausência de profissionalização da estrutura empresarial, que acabam gerando prejuízos quando acontece algum evento inesperado, tais como separações, divórcios e litígios familiares”, comenta a especialista.
No dia a dia essa realidade é bem comum. A especialista em Direito Empresarial comenta que alguns cuidados devem ser tomados para preservar o equilíbrio principalmente nas empresas de controle familiar. “Para evitar potenciais problemas em razão de separações e divórcios, em especial a desestabilização financeira da empresa quando da apuração e pagamento dos haveres do sócio retirante ou do cônjuge de sócio pertencente à sociedade, é importante ter planejado, organizado e regulado assuntos relacionados à família, patrimônio e gestão, pois apesar de serem temas independentes, acabam se sobrepondo e causando conflitos dentro da empresa. Com isso, separar bens pessoais dos empresariais, preservando sempre os direitos pertencentes aos sócios e seus cônjuges, deixando toda a estrutura preparada para os mais variados eventos que porventura um dia possam acontecer é um excelente caminho. Muitas vezes, dependendo do tempo e do tipo de litígio, as separações e os divórcios desestruturam as empresas a ponto de descapitalizar e engessar as operações diárias, desvalorizam seu valor de mercado, geram descrédito perante terceiros e consequentemente dificuldades para pagamento dos haveres apurados em favor do cônjuge que está deixando a relação conjugal”, explica.
Informações da assessoria.





















