Mercado de feijão segue influenciado pela qualidade dos grãos
Indicador Cepea/CNA aponta que oferta restrita sustenta os valores do feijão carioca premium e do feijão preto, enquanto lotes intermediários sofrem desvalorização

O mercado brasileiro de feijão abriu o mês de julho mantendo a mesma dinâmica observada ao longo de todo o primeiro semestre de 2026: uma forte segmentação ditada pelo padrão de qualidade de cada lote. De acordo com as informações divulgadas no portal de notícias da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o indicador Cepea/CNA revela que os grãos de melhor qualidade seguem com preços fortemente sustentados pela oferta restrita, ao passo que as categorias intermediárias e o feijão preto encaram oscilações regionais atreladas à disponibilidade do produto.
CARIOCA PREMIUM
O feijão carioca de ponta (classificado como peneira 12 ou nota 9,0 e superior) mantém um mercado firme. A sustentação ocorre devido à oferta bastante limitada, cenário que prevalece mesmo com o início da colheita da safra irrigada na região do Cerrado. A indústria mantém uma demanda aquecida na busca por recompor seus estoques, o que assegura as cotações em patamares elevados.
Em junho, num movimento de correção após fortes altas no início do ano, os preços desse segmento recuaram 9,65% ante maio (dados do Cepea/Esalq). Ainda assim, a valorização acumulada no primeiro semestre de 2026 é de 62,4%, patamar que deixa o grão 57% mais caro do que o registrado em junho de 2025.
A perspectiva de curto prazo para o feijão carioca premium é de estabilidade com viés de firmeza. A entrada gradual da safra irrigada pode frear novas disparadas nos preços, mas analistas não esperam quedas expressivas enquanto o produto de alto padrão for escasso.
LOTES INTERMEDIÁRIOS
O cenário muda drasticamente para o feijão carioca de qualidade intermediária (notas 8 e 8,5), que enfrenta intensa pressão de baixa. Há uma disponibilidade muito maior desses lotes, oriundos principalmente do Paraná, estado onde as lavouras sofreram severamente com geadas e excesso de chuvas, o que derrubou o padrão visual e de qualidade do grão.
Consequentemente, os preços dessa categoria recuaram 13,15% em junho na comparação com o mês anterior. Mesmo com a queda mensal, o produto ainda acumula alta de 52,3% no semestre e está 70,3% acima dos níveis de junho de 2025.
Na última semana, a maior seletividade dos compradores forçou quedas em praças específicas, como o Sul/Sudoeste de Minas Gerais (-6,27%), Leste Goiano (-5,53%) e Curitiba (-3,23%). A tendência aponta para uma acomodação das cotações, mantendo um grande distanciamento (spread) de preços em relação aos grãos nota 9.
FEIJÃO PRETO
O feijão preto tipo 1 segue em terreno firme, impulsionado diretamente pela redução da oferta. O mercado sente o peso do encerramento da segunda safra paranaense e as perdas de produtividade geradas por intempéries climáticas. Dados do Deral/Seab indicam que apenas 21% das lavouras remanescentes no Paraná apresentam boas condições, agravando a escassez de lotes de alta qualidade.
Em junho, as cotações do feijão preto subiram 1,88% frente a maio. No balanço anual, o grão acumula alta de 35% no semestre e de 47,2% na comparação com junho do ano passado.
As negociações prosseguem em ritmo moderado, focadas no reabastecimento das indústrias e na necessidade de comercialização pontual dos produtores. Para o curto prazo, a tendência é de manutenção do mercado firme, existindo a possibilidade de novas valorizações caso a restrição de oferta não seja aliviada.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Carioca Premium Escasso: A demanda da indústria para repor estoques e a baixa oferta mantêm o feijão carioca nota 9+ aquecido; o grão recuou 9,65% em junho, mas acumula forte alta de 62,4% em 2026.
- Clima Pressiona Intermediários: Lotes de feijão carioca afetados pelo clima no Paraná sofrem desvalorização (queda de 13,15% em junho), ampliando a rejeição dos compradores e a distância de preço para os grãos de ponta.
- Feijão Preto em Alta Contínua: Com apenas 21% das lavouras paranaenses remanescentes avaliadas como boas, o feijão preto tipo 1 segue com cotações firmes, subindo 1,88% em junho e acumulando 35% de valorização no semestre.





















