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Embrapa lança guia para região Sul enfrentar o El Niño

Documento elaborado por sete unidades de pesquisa traz estratégias e planejamento para mitigar os impactos de chuvas excessivas e proteger a produção agrícola

Publicação reúne estratégias de manejo e planejamento para aumentar a resiliência das atividades agropecuárias diante das mudanças nas condições climáticas
Publicação reúne estratégias de manejo e planejamento para aumentar a resiliência das atividades agropecuárias diante das mudanças nas condições climáticas -

Publicado por Eduarda Gomes

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A Embrapa mobilizou sete de suas unidades de pesquisa para lançar um conjunto robusto de recomendações técnicas voltadas aos produtores rurais da Região Sul do Brasil. A iniciativa surge diante dos alertas meteorológicos que apontam até 99% de probabilidade de o fenômeno El Niño permanecer ativo até o início de 2027.

Os dados são baseados em estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que projeta ainda 63% de chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027. As informações são do Agrofy News.

O documento foi elaborado de forma conjunta pelas unidades Embrapa Clima Temperado, Florestas, Pecuária Sul, Soja, Suínos e Aves, Trigo e Uva e Vinho, que integram a Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária da Região Sul do Brasil. O objetivo principal do material é preparar o setor para lidar com o aumento substancial das chuvas, maior nebulosidade e temperaturas acima da média histórica esperadas para o inverno na região. Esses fatores climáticos extremos exigem respostas rápidas para evitar perdas severas na agricultura e na pecuária de forma coordenada.

De acordo com o agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, o setor produtivo acumulou um conhecimento científico muito maior nas últimas décadas, o que permite agir de forma preventiva em vez de apenas reagir aos desastres. O especialista destaca que a incerteza climática não deve paralisar o produtor, mas sim motivar uma gestão de riscos robusta. Para ele, os impactos do El Niño não são inevitáveis e, com o planejamento adequado baseado em previsões meteorológicas oficiais, é possível reduzir significativamente os danos e até aproveitar condições ambientais que favoreçam cultivos específicos.

Entre as diretrizes gerais sugeridas pela publicação, destacam-se a rigorosa observância ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o monitoramento constante do clima e a contratação de seguro rural como forma de transferência de risco. A Embrapa também orienta os agricultores a ajustarem suas expectativas de produtividade e a dosagem de insumos ao cenário real do El Niño, evitando realizar investimentos pesados baseados em projeções de safras excepcionais que dificilmente se confirmarão sob condições de excesso hídrico.

O manual divide as orientações por cadeias produtivas específicas para facilitar a aplicação prática das medidas de mitigação no dia a dia. No caso dos cereais de inverno, como trigo, aveia e cevada, as recomendações focam no controle rigoroso de doenças fúngicas, manejo de adubação e planejamento logístico da colheita. Para grandes culturas de verão, como soja, milho e arroz irrigado, as orientações visam melhorar os sistemas de drenagem do solo, implementar práticas eficientes de controle de erosão e intensificar o monitoramento fitossanitário das lavouras.

A fruticultura, que engloba videiras, macieiras, pessegueiros, oliveiras e nogueiras-pecãs, é apontada pelo pesquisador Alex Mayer, da Embrapa Clima Temperado, como uma das atividades mais vulneráveis ao fenômeno. O excesso de umidade no solo pode asfixiar o sistema radicular das plantas e causar a morte de pomares inteiros, além de facilitar a proliferação de doenças. Para mitigar esses riscos, são recomendadas melhorias na drenagem, proteção física contra ventos fortes e granizo e adoção de práticas de conservação do solo. A Embrapa também sugere a adoção de sistemas produtivos mais resilientes em nível de microbacias, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

O esforço de mitigação é complementado por ações estruturadas de transferência de tecnologia e capacitação contínua de profissionais de assistência técnica. O pesquisador José Reinaldo Moraes, também da Embrapa Clima Temperado, ressalta que o El Niño representa uma mudança no padrão de risco e não um desastre inevitável. Segundo os cientistas, a preparação antecipada, o acesso a informações técnicas de qualidade e o uso de ferramentas de monitoramento são os pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade e a resiliência da agropecuária sulista frente aos desafios climáticos futuros.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Mobilização científica contra o El Niño: Sete unidades da Embrapa uniram forças para lançar um guia de prevenção para o Sul do Brasil, motivadas pela probabilidade de 99% de o fenômeno persistir até o início de 2027, com risco de alta intensidade entre o fim de 2026 e o começo do ano seguinte.

- Manejo focado e personalizado: O documento técnico divide as recomendações por culturas, abrangendo desde cereais de inverno e grandes grãos de verão até a fruticultura, com diretrizes práticas de drenagem de solo, controle fitossanitário e proteção contra erosão e ventos fortes.

- Gestão de risco e resiliência: Especialistas orientam os produtores a adotarem o seguro rural, seguirem rigidamente o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), adequarem suas expectativas financeiras e produtivas e utilizarem sistemas integrados como ILPF e SAFs.

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