El Niño exige manejo estratégico e regionalizado na safra 2026/27
Retorno do fenômeno climático de forte intensidade eleva desafios fitossanitários em culturas como soja, milho e trigo; especialistas destacam a importância do planejamento prévio e do monitoramento das lavouras

O retorno iminente de um El Niño de forte intensidade, popularmente chamado de "Super El Niño", colocou o setor agropecuário brasileiro em estado de alerta para a safra de 2026/2027. Dados divulgados pela Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) apontam 82% de probabilidade de o fenômeno se formar até julho deste ano, com 96% de chances de se manter ativo entre dezembro e fevereiro de 2027. Essa instabilidade climática extrema exigirá dos produtores rurais um planejamento robusto e um manejo fitossanitário altamente estratégico e adaptado a cada região do país.
As projeções climáticas indicam impactos geográficos muito distintos. Enquanto a região do Cerrado deve enfrentar chuvas irregulares e potenciais atrasos no plantio, o que ameaça diretamente a janela ideal para a semeadura do milho safrinha, a região Sul deve registrar precipitações frequentes e acima da média. Essas condições contrastantes alteram profundamente o ciclo de desenvolvimento das plantas e a dinâmica de propagação de doenças.
DESCOMPASSO NO CAMPO E PRESSÃO PRECOCE DE DOENÇAS
A irregularidade na semeadura gera um descompasso no desenvolvimento das plantas, criando lavouras em diferentes estágios fenológicos dentro de uma mesma região. Segundo Mário Drehmer, gerente sênior de Portfólio e Culturas da Sumitomo Chemical, as plantações que são semeadas mais tarde costumam ser as mais prejudicadas, pois ficam expostas à alta pressão de pragas e doenças acumuladas das áreas precoces.
Na cultura da soja, as temperaturas elevadas associadas ao excesso de umidade criam o ambiente ideal para infecções fúngicas. Patógenos que historicamente causavam preocupação apenas na fase final do ciclo produtivo agora exigem atenção redobrada desde o início. É o caso da septoriose e da cercosporiose.
Drehmer alerta que o tratamento para essas doenças precisa ser preventivo, pois elas podem se estabelecer ainda no período vegetativo, provocando a desfolha do baixeiro (folhas inferiores) e derrubando o teto produtivo da lavoura de forma silenciosa. A ferrugem asiática também ganha força sob essas condições climáticas.
"As variações climáticas afetam cada região de forma distinta e podem criar condições favoráveis ao desenvolvimento de patógenos presentes no solo, na palhada e em áreas vizinhas. Com tantas variáveis em jogo, não existe mais espaço para receitas prontas. Cada região, cada safra e cada condição de cultivo exigem estratégias de manejo adaptadas à sua realidade", avalia.
DESAFIOS NO MILHO E NO TRIGO
Para os produtores de milho, o principal gargalo sob a influência do El Niño é o complexo de doenças foliares. Fungos causadores da cercóspora, diplodia, mancha de phaeosphaeria, helmintosporiose e ferrugem ameaçam as lavouras.
Embora os híbridos de milho modernos entreguem um altíssimo potencial de rendimento, muitos deles possuem menor tolerância genética a essas infecções. Por essa razão, os especialistas reforçam a recomendação do uso preventivo de fungicidas de amplo espectro ainda nas fases vegetativas.
Já na cultura do trigo, o excesso de umidade é o gatilho perfeito para a giberela. Além de reduzir drasticamente o rendimento da colheita, essa doença afeta a segurança e a qualidade do grão devido à contaminação pela micotoxina deoxinivalenol (DON). Outras ameaças fitossanitárias que se beneficiam do clima úmido no trigo são a mancha-amarela, a septoriose e a ferrugem.
GARGALOS OPERACIONAIS
O impacto do clima extremo vai além da biologia dos fungos. Do ponto de vista operacional, o excesso de umidade mantém as folhas molhadas por mais tempo, facilitando a germinação dos esporos e a dispersão dos esporos pelas gotas de chuva, mas também impede o tráfego de tratores e pulverizadores no solo encharcado. Essa limitação reduz as janelas de aplicação de defensivos, impedindo que o produtor realize o tratamento químico no momento técnico ideal.
Diante do tripé que rege as doenças agrícolas, a interação entre o hospedeiro sensível, o ambiente favorável e a presença do patógeno, Drehmer enfatiza que cada microrregião exigirá soluções personalizadas. Para mitigar as perdas na safra 2026/2027, programas de manejo que integram fungicidas eficientes e versáteis, como as soluções desenvolvidas pela Sumitomo Chemical, tornam-se essenciais.
A Sumitomo Chemical, que conta com uma infraestrutura de pesquisa e produção no Brasil, incluindo um centro de pesquisas em Mogi Mirim (SP) e uma fábrica em Maracanaú (CE), reforça que o sucesso da temporada dependerá diretamente de monitoramento constante, agilidade operacional e da quebra da mentalidade de "receitas prontas". As informações são da Assessoria de Imprensa.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Regionalização do manejo: O Cerrado enfrentará chuvas irregulares e risco de atraso na safrinha, enquanto o Sul terá excesso de chuvas; as estratégias devem ser totalmente personalizadas para a realidade climática de cada região.
- Tratamento preventivo precoce: Doenças como a septoriose e a cercosporiose na soja devem ser tratadas ainda na fase vegetativa para evitar a desfolha precoce e a perda de produtividade.
- Atenção às janelas operacionais: O solo encharcado e as chuvas frequentes reduzem o tempo disponível para a entrada de máquinas na lavoura, exigindo monitoramento diário para não perder o momento ideal de aplicação de defensivos.





















