Clima no Paraná prejudica o milho, o feijão e reduz plantio de trigo
Instabilidade afeta qualidade de grãos e eleva custos no estado; pastagens mantêm excelente desempenho no inverno

Os produtores rurais do Paraná enfrentaram uma semana de forte instabilidade climática entre os dias 7 e 13 de julho. O período começou com frio intenso e geadas concentradas no Sul e Sudoeste do estado, seguidas pelo avanço de uma frente fria que trouxe chuvas expressivas para o Oeste, Centro-Sul e Leste, afetando o ritmo das atividades e a qualidade das lavouras.
No campo, a segunda safra de milho e feijão sofreu impactos diretos dessas oscilações. A alta umidade do solo e do grão atrasou a colheita do milho e gerou filas nas cooperativas, elevando sensivelmente os custos dos produtores com lenha e cavacos para a secagem artificial.
Geadas e granizo também causaram lesões nas folhas e favoreceram o aparecimento de doenças no milho. Enquanto isso, o feijão caminha para o encerramento da colheita com perdas consolidadas de produtividade e grãos de baixa qualidade comercial, castigados pelo excesso de chuvas durante a fase de maturação.
A triticultura também enfrenta um momento desafiador no estado, uma vez que o excesso de umidade aumentou a incidência de doenças foliares e provocou o acamamento de plantas jovens. Diante dos atrasos no cronograma e do risco de o ciclo do trigo invadir a janela de plantio da soja no verão, alguns agricultores paranaenses optaram por desistir do cultivo do cereal nesta temporada.
Paralelamente, a colheita do café perdeu ritmo nas áreas mais úmidas devido à escassez de mão de obra e às chuvas frequentes, o que coloca em risco a qualidade final. As informações são do Boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta terça-feira (14).
No setor de hortaliças, o clima adverso provocou perdas pontuais de folhosas cultivadas a céu aberto devido a alagamentos e geadas em áreas de baixada, além de forçar o descarte precoce de estufas de tomate afetadas pela requeima. Os fatores econômicos também pesaram nesta semana, com os baixos preços pagos aos produtores desestimulando a colheita da mandioca e sinalizando uma retração na área total que será destinada ao arroz irrigado na próxima safra.
Como ponto positivo de todo esse cenário úmido, a pecuária paranaense segue muito beneficiada. O ótimo acúmulo de água no solo garantiu um excelente desenvolvimento das pastagens nativas e cultivadas, mantendo a oferta de massa verde para os rebanhos em patamares muito superiores aos registrados no mesmo período do ano passado e facilitando o manejo dos animais durante o inverno.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Custos e perdas na safrinha: O excesso de umidade no milho encareceu o processo de secagem nas cooperativas, enquanto o feijão de segunda safra fecha o ciclo com perdas de qualidade provocadas pelas chuvas.
- Desistência no trigo: O atraso no plantio e as dificuldades operacionais causadas pelas chuvas fizeram com que produtores desistissem do trigo para não comprometer a próxima safra de verão.
- Pastagens em alta: O acúmulo de umidade no solo beneficiou a pecuária, garantindo pastos vigorosos e excelente oferta de alimento para os rebanhos durante o inverno.





















