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Etanol eleva consumo interno de milho que deve atingir recorde em 2026

Crescimento de 11,11% na demanda doméstica é liderado pelas usinas de biocombustível, compensando os riscos climáticos na safrinha e a alta nos custos de frete

Usinas de biocombustível impulsionam a demanda do cereal no mercado brasileiro, enquanto consultorias projetam que o consumo de milho atinja a marca histórica de 100 milhões de toneladas
Usinas de biocombustível impulsionam a demanda do cereal no mercado brasileiro, enquanto consultorias projetam que o consumo de milho atinja a marca histórica de 100 milhões de toneladas -

Publicado por Eduarda Gomes

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O consumo doméstico de milho no Brasil deve atingir o patamar histórico de 100 milhões de toneladas este ano, segundo projeções da Pátria AgroNegócios. O volume representa uma alta de 11,11% em comparação com as 90 milhões de toneladas registradas no período anterior.

O salto expressivo ocorre em um momento de leve retração na oferta total. A safra nacional está estimada em 137 milhões de toneladas, contra as 142 milhões de toneladas da temporada passada, conforme dados do Rabobank. 

Apesar de a produção brasileira ter dobrado na última década devido à expansão e ganho de produtividade da segunda safra (safrinha), o cenário atual une uma forte pressão de demanda interna a riscos climáticos e logísticos. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a menor exposição logística das usinas de etanol em relação aos portos tem sido determinante para reter o grão no mercado interno, reduzindo os volumes destinados à exportação.

USINAS DE ETANOL

O grande catalisador da demanda doméstica é o setor de bioenergia. A analista de Grãos e Oleaginosas do Rabobank, Marcela Marini, aponta que o consumo de milho para a fabricação de etanol deve atingir o recorde de 27,5 milhões de toneladas, um crescimento de 20% em relação ao ano passado.

O Brasil conta atualmente com cerca de 30 usinas de etanol de milho em operação, sendo 11 delas no modelo flex (que processam milho e cana-de-açúcar). A expectativa é que a produção atinja 9,6 bilhões de litros na safra 2025/26, com potencial para alcançar uma capacidade instalada de 12,6 bilhões de litros.

O setor ganha ainda mais fôlego com a proposta do governo federal de elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. A competitividade das usinas também foi favorecida pela alta de quase 20% no custo do frete interno. Como entre 70% e 75% das indústrias estão localizadas próximas às regiões produtoras, elas sofrem menos impactos logísticos do que o mercado de exportação, conseguindo oferecer condições mais atrativas aos produtores locais.

Essa expansão, iniciada em Mato Grosso, já avança para novas fronteiras agrícolas como Bahia, Piauí e o oeste mato-grossense. Nesses locais, mesmo com a menor oferta do cereal devido à forte presença do cultivo de algodão, as indústrias são atraídas pelo preço mais elevado do etanol naquelas regiões.

MUDANÇAS E RISCOS CLIMÁTICOS

O setor de rações animais continua sendo o maior consumidor individual do cereal no país. Dados da Abramilho indicam que cerca de 60% do milho doméstico vai para a nutrição animal, liderado pela avicultura (32%) e seguido pela suinocultura (15%).

No entanto, o consultor Cristiano Palavro, da Pátria AgroNegócios, alerta para o risco de descompasso entre o consumo aquecido e possíveis quebras na safra. Por representar cerca de 70% da produção do país, a safrinha gera preocupações devido ao atraso no plantio da soja, que empurrou a janela do milho para um período de estiagem. A falta de chuvas afeta áreas em Goiás, Minas Gerais, norte de São Paulo, Bahia e Mato Grosso do Sul.

Por outro lado, em Mato Grosso, o clima permitiu um incremento na produtividade. Segundo Geraldo Isoldi, consultor da Terra Investimentos, a média mato-grossense subiu para 118,71 sacas por hectare em uma área de 7,39 milhões de hectares, consolidando uma produção estimada em 52,65 milhões de toneladas (alta de 1,81% frente à estimativa anterior).

Como resposta econômica e nutricional a esse cenário complexo, a pecuária brasileira vem promovendo uma diversificação de insumos. O milho tem perdido espaço parcial nas dietas para o sorgo e para o DDG (grãos secos de destilaria), um subproduto de alto valor proteico gerado pelas próprias usinas de etanol de milho que tem conquistado forte aceitação dos pecuaristas pelo custo competitivo.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Consumo Recorde: A demanda interna por milho no Brasil deve crescer 11,11% e atingir a marca inédita de 100 milhões de toneladas, puxada principalmente pelo setor de bioenergia.

- Etanol em Alta: As usinas de etanol de milho devem consumir um recorde de 27,5 milhões de toneladas do grão (alta de 20%), beneficiadas pela proximidade das áreas produtoras e pela menor exposição ao encarecimento do frete interno.

- Clima e Substituição: Enquanto o atraso da safrinha gera riscos de quebra por seca em estados como GO, MG e SP, o setor de ração animal (responsável por 60% do consumo) começa a substituir parcialmente o grão por sorgo e subprodutos como o DDG.

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