Crise no Oriente Médio derruba vendas brasileiras para o Golfo em abril | aRede
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Crise no Oriente Médio derruba vendas brasileiras para o Golfo em abril

Bloqueio do Estreito de Ormuz eleva custos logísticos e derruba receitas mensais em 24,99%, mas segurança alimentar mantém demanda por produtos brasileiros

Embarques de alimentos do agro brasileiro para o Oriente Médio resistem às crises geopolíticas, mas restrições no Estreito de Ormuz encarecem o frete
Embarques de alimentos do agro brasileiro para o Oriente Médio resistem às crises geopolíticas, mas restrições no Estreito de Ormuz encarecem o frete -

Publicado por Eduarda Gomes

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As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), bloco que reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, registraram em abril o segundo recuo mensal do ano. O desempenho foi diretamente impactado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio e pela interrupção do Estreito de Ormuz, importante via marítima da região.

No mês de abril, as receitas totais de exportação para o bloco recuaram 24,99% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 2,281 bilhões (US$ 455,54 milhões). No acumulado do primeiro quadrimestre, as perdas gerais somam 0,67%, totalizando R$14,124 bilhões (US$ 2,82 bilhões).

Apesar do cenário adverso e da alta nos custos logísticos, que inflacionaram fretes, seguros e exigiram transbordos rodoaéreos, o agronegócio brasileiro conseguiu sustentar um avanço de 1,97% de janeiro a abril, gerando R$ 8,815 bilhões (US$ 1,76 bilhão). De acordo com dados levantados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e divulgados pela CNN Brasil, a demanda do bloco pelo agro nacional é inelástica devido à qualidade dos produtos e à dependência das nações árabes para garantir sua segurança alimentar.

DESEMPENHO POR SETORES

O balanço do quadrimestre aponta que o crescimento do agronegócio foi garantido pela compensação mútua entre diferentes commodities alimentares:

- Açúcar: Registrou uma das maiores altas do período (+28,74%), alcançando R$ 2,216 milhões (US$ 442,59 bilgões). O destaque foi o avanço de 46,35% nas vendas para a Arábia Saudita e um salto expressivo de 6.332,27% nos embarques para Omã, mesmo com os portos deste último afetados pelos bloqueios navais.

- Carne Bovina: Acumula crescimento de 28,77% no ano (R$ 1,098 bilhão / US$ 219,30 milhões), com evolução em todos os mercados do CCG. No entanto, o setor acendeu um sinal de alerta em abril, quando as receitas recuaram 46,90% em relação a março, indicando uma desaceleração e reversão de tendência.

- Café: Impulsionado por um forte movimento de recomposição de estoques nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã, o produto acumulou alta de 58,50% no quadrimestre, faturando R$ 323,912 milhões (US$ 64,67 milhões).

- Milho: Após uma paralisação quase total nos embarques em março, o grão se recuperou em abril, somando R$ 59,102 milhões (US$ 11,80 milhões) no mês. No acumulado do ano, a alta é de 11,69% (US$ 73,01 milhões), puxada por negócios com o Kuwait e Emirados Árabes.

- Carne de Frango: Principal item da pauta exportadora, a proteína registrou queda acumulada de 5,98% no quadrimestre, recuando para US$ 791,19 milhões. Como exceção, o Catar (cujos portos ficam exclusivamente dentro do Golfo Pérsico) elevou suas compras em 13,82% (R$ 352,061 milhões / US$ 70,29 milhões) ao contornar o bloqueio marítimo utilizando rotas terrestres por caminhões a partir de portos sauditas no Mar Vermelho e transporte aéreo.

SOLUÇÕES

Segundo o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, os exportadores brasileiros têm demonstrado agilidade para encontrar soluções e rotas alternativas que coloquem os produtos na região, mesmo absorvendo custos operacionais elevados.

Mourad reforça que, devido às especificações técnicas e de qualidade exigidas pelo mercado árabe, os fluxos comerciais não são facilmente substituídos. A curto prazo, a tendência é de aumento de preços ao consumidor final na região, enquanto os exportadores seguem buscando otimizar a velocidade das rotas logísticas para mitigar os gargalos geopolíticos.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Queda Operacional: O acirramento dos conflitos no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz derrubaram as exportações brasileiras totais para o Golfo em 24,99% em abril.

- Resiliência do Agro: Apesar do frete mais caro e do recuo mensal, o saldo do agronegócio no primeiro quadrimestre segue positivo (+1,97%), totalizando US$ 1,76 bilhão em receitas.

- Rotas de Escape: Produtos como açúcar (+28,74%) e café (+58,50%) sustentaram o crescimento do período, enquanto países como o Catar passaram a usar transporte aéreo e caminhões para desviar das restrições portuárias.

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