Paraná lidera ranking nacional de Indicações Geográficas com 24 produtos certificados
Do café da manhã ao jantar, o estado transforma tradição, território e saber-fazer em ativos econômicos que impulsionam o turismo e a renda no campo

No Paraná, a mesa farta não é apenas uma tradição cultural, mas uma vitrine de desenvolvimento econômico. O estado consolidou sua posição como líder brasileiro em Indicações Geográficas (IGs), reunindo 24 registros que atestam a origem e a qualidade única de seus produtos. Essa chancela, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), permite que uma rotina alimentar completa, do desjejum à ceia, seja composta exclusivamente por itens com identidade territorial protegida.
O dia do paranaense pode começar com o aroma dos cafés premiados do Norte Pioneiro (a primeira IG do estado, registrada em 2012) ou de Mandaguari. Para acompanhar, a mesa oferece a broa de centeio de Curitiba, os queijos de Witmarsum, a cracóvia de Prudentópolis e frutas como a ponkan de Cerro Azul, as uvas de Marialva ou o morango do Norte Pioneiro. Antes de iniciar o trabalho, o tradicional chimarrão ganha o reforço da erva-mate São Matheus.
RECONHECIMENTO COMO ESTRATÉGIA DE MERCADO
As IGs funcionam como uma ferramenta de valorização e proteção legal. Segundo a consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Guimarães, o selo transforma o produto em um "ativo do território". O impacto ultrapassa a lavoura, movimentando o comércio, o design de embalagens e, especialmente, o turismo gastronômico. A organização desse ecossistema no Paraná teve um marco em 2009, com o mapeamento de 35 produtos potenciais, resultando no atual cenário de liderança.
De acordo com informações divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, essa estruturação permite que itens certificados alcancem preços até quatro vezes superiores aos similares sem registro, além de garantir que apenas produtores da região delimitada utilizem o nome protegido, evitando imitações.
No almoço, o cardápio pode incluir o barreado do litoral, temperado com o urucum de Paranacity, precedido pela cachaça de Morretes. A carne de onça de Curitiba e os vinhos de Bituruna também compõem esse mosaico de sabores que se estende ao lanche da tarde, com as tortas de Carambeí e as balas de banana de Antonina. O jantar pode ser sofisticado com as ostras de Cabaraquara, finalizando com o chá de camomila de Mandirituba.
HISTÓRIAS DE QUEM PRODUZ
Jonas Aparecido da Silva, de Pinhalão, representa a quarta geração de cafeicultores e preside a Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (Acenpp). Para ele, a IG trouxe assistência técnica e organização financeira. "Hoje a gente vende mais do que café, vende história", destaca.
No Sudoeste, a agrônoma Franciele Rhenbach Hassel Bauer transformou a produção de leite da família na queijaria artesanal que produz o queijo colonial do Sudoeste do Paraná, reconhecimento obtido em 2025. O selo ajudou a preservar técnicas manuais e a manter famílias no campo. Já em Prudentópolis, o empreendedor José Marcos Mahulak viu a cracóvia, um embutido de cortes nobres suínosm tornar-se um símbolo da imigração ucraniana reconhecido em todo o país.
GASTRONOMIA COMO NARRATIVA
Para o chef Felipe Cavalcanti Zibetti de Souza, do restaurante Tekoa em Curitiba, utilizar esses ingredientes é uma forma de afirmar a identidade paranaense. Ao criar pratos que misturam queijos, embutidos e derivados de banana com IG, ele traduz os ciclos econômicos e as influências étnicas (italiana, alemã, ucraniana, holandesa e caiçara) que formaram o estado.
Sérgio Medeiros, coordenador do Fórum Origens Paraná, reforça que esses "24 tesouros" precisam ser conhecidos primeiro pelos próprios paranaenses. A diversidade é tamanha que as certificações variam entre Indicação de Procedência (fama e tradição) e Denominação de Origem (onde o meio físico influencia as características do produto).
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Pioneirismo e Quantidade: O Paraná é o estado com maior número de IGs no Brasil (24), iniciado com o café do Norte Pioneiro em 2012 e expandindo para setores diversos como mel, vinhos e embutidos.
- Valorização Econômica: O selo de IG protege produtores contra falsificações, permite a abertura de mercados internacionais e pode elevar o valor de venda do produto em até 400%.
- Identidade Cultural: Os produtos certificados refletem a diversidade étnica do estado, unindo solos específicos a saberes tradicionais de imigrantes e comunidades nativas (caiçaras).





















