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China impõe cotas e carne brasileira deve perder competitividade

Relatório do Citibank alerta para "ajuste estrutural" no mercado; esgotamento das cotas em julho pode redirecionar 600 mil toneladas de proteína para outros destinos e pressionar preços

Frigoríficos brasileiros operam em ritmo acelerado para aproveitar as cotas chinesas antes do esgotamento previsto para julho; mudança estrutural pode derrubar margens do setor no final do ano
Frigoríficos brasileiros operam em ritmo acelerado para aproveitar as cotas chinesas antes do esgotamento previsto para julho; mudança estrutural pode derrubar margens do setor no final do ano -

Publicado por Eduarda Gomes

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O setor pecuário brasileiro enfrenta um novo e severo desafio em 2026. De acordo com uma análise estratégica divulgada pelo Citibank na segunda-feira (6), a introdução de cotas de importação pela China promete transformar o mercado de carne bovina. O país asiático, que nos últimos anos foi o principal motor de rentabilidade das exportações brasileiras, deve passar de um vetor de sustentação para um fator de pressão sobre as margens das indústrias.

Atualmente, a China absorve cerca de 55% dos embarques de carne bovina do Brasil. No entanto, os cálculos do banco indicam que 33,6% da cota anual já foi consumida apenas nos dois primeiros meses do ano. Nesse ritmo, o limite deve ser atingido em julho, forçando as exportações excedentes a enfrentarem tarifas elevadas que reduzem drasticamente a competitividade do produto brasileiro em solo chinês.

IMPACTO

O relatório, elaborado pelos analistas Renata Cabral e Luiz Felipe Terzariol, prevê que o ajuste no mercado não será gradual, mas sim "abrupto". Com o possível fechamento da janela preferencial chinesa no segundo semestre, estima-se que 600 mil toneladas de carne bovina precisem ser redirecionadas para outros mercados ou para o consumo doméstico. As informações são da CNN Brasil.

Essa migração de volume tende a pressionar as cotações internacionais e as margens de lucro das empresas. O Citi destaca que a Minerva é a companhia mais exposta a esse cenário devido à sua alta dependência das exportações para a Ásia, enquanto gigantes como JBS e Marfrig possuem estruturas que oferecem uma proteção relativa, embora não fiquem imunes à dinâmica de queda de preços.

FATORES SECUNDÁRIOS

Mesmo com a previsão de uma queda de até 5% na produção brasileira em função do ciclo pecuário (retenção de matrizes), o banco avalia que essa redução não será suficiente para equilibrar o excesso de oferta gerado pelas cotas. Outros pontos de atenção citados incluem:

- Febre Aftosa: Considerada irrelevante em termos de oferta atual, mas monitorada por seu potencial de influenciar decisões políticas e comerciais.

- Substituição de Consumo: Na China, a tendência é que o consumidor migre para proteínas mais baratas, como frango e suíno, limitando ainda mais o espaço para a carne bovina brasileira fora das cotas.

O balanço final de riscos para 2026 permanece negativo, com a sinalização de que os fatores de alívio são incertos perante a clareza do impacto imediato das novas regras comerciais chinesas.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Esgotamento de Cotas: Um terço da cota anual de exportação para a China já foi usado; a previsão é que o limite seja atingido em julho de 2026.

- Excesso de Oferta: Cerca de 600 mil toneladas de carne podem ser "despejadas" em outros mercados ou no Brasil, forçando a queda nos preços e nas margens de lucro.

- Risco Corporativo: A Minerva é apontada como a empresa com maior risco de perda de rentabilidade devido à sua concentração de vendas para o mercado chinês.

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