Preço do trigo recua 9% após atingir recorde histórico em maio | aRede
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Preço do trigo recua 9% após atingir recorde histórico em maio

Investidores ignoram perdas de produtividade causadas por seca nos Estados Unidos e passam a precificar o avanço da safra do Hemisfério Norte

No Brasil, Conab projeta quebra de 20% na produção nacional
No Brasil, Conab projeta quebra de 20% na produção nacional -

Publicado por Eduarda Gomes

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Os contratos futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago registraram recuo pelo quinto dia consecutivo. Na abertura das negociações desta quarta-feira, as cotações cederam mais 1,49%, posicionando o contrato com vencimento para julho em US$ 6,26 (R$ 31,66) por bushel. Apesar do movimento recente de desvalorização, o patamar atual de preços da commodity permanece 25% superior aos níveis praticados ao longo do ano de 2025.

O recuo consolidado nas últimas duas semanas representa uma reversão expressiva de tendência. No dia 14 de maio, o mercado havia registrado a maior cotação do cereal em dois anos, quando o bushel atingiu o pico de US$ 6,88 (R$ 34,8). Desde o estabelecimento desse recorde, a queda acumulada já atinge a marca de 9%, um ajuste acentuado que causou surpresa entre agentes do setor. As informações são da CNN Brasil.

A velocidade da retração surpreende analistas porque ocorre em um momento de fundamentos teoricamente altistas nos Estados Unidos. O mercado financeiro parece ignorar, temporariamente, os dados críticos de qualidade e produtividade das lavouras norte-americanas, severamente castigadas por uma estiagem prolongada. Dados oficiais divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontaram que somente 26% das plantações de trigo de inverno no país estavam classificadas em condições boas ou excelentes, o pior índice histórico já documentado para este período do ano.

As chuvas registradas ao longo desta semana nas regiões produtoras americanas aliviaram parte das preocupações imediatas e ajudaram a arrefecer as cotações. Contudo, o principal fator de pressão de baixa é a proximidade da colheita no Hemisfério Norte, cuja entrada no mercado deve elevar substancialmente a oferta global nos próximos meses.

CONTEXTO NACIONAL

Enquanto o cenário externo exibe liquidação, o panorama doméstico brasileiro é de forte quebra na oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma redução superior a 20% na safra nacional de trigo para o ciclo 2025/26. A perda projetada é de 1,5 milhão de toneladas, decorrente principalmente do encolhimento da área plantada nos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, os principais polos produtores do país.

Com base nos números levantados pela estatal, o Brasil deve colher um volume total de 6,4 milhões de toneladas de trigo em 2026. A quantia se mostra insuficiente para abastecer a demanda interna, que supera as 12 milhões de toneladas anuais. Em razão desse déficit estrutural, o país precisará recorrer ao mercado externo e manter suas importações consolidadas em patamares próximos a 7 milhões de toneladas por ano.

Uma parcela expressiva do trigo comprado pelo Brasil virá da Argentina. Seguindo a política fiscal adotada pelo presidente Javier Milei, o governo argentino anunciou na última semana a redução gradual de diferentes impostos incidentes sobre a exportação de grãos e outros subprodutos, com o objetivo de estimular a produção agrícola e ampliar a receita gerada com os embarques ao exterior.

Para a cultura do trigo, a redução tarifária será de 2 pontos percentuais, recuando dos atuais 7,5% para 5,5% já a partir do mês de junho. Para o milho, que possui taxa vigente de 8,5%, a desoneração será trimestral, terminando o ano de 2027 em 7,5% e consolidando-se em 5,5% em 2028. No caso da soja, a redução da alíquota ocorrerá mensalmente a partir de janeiro de 2027, saindo dos atuais 24% até atingir o patamar de 15% até 2028.

O setor exportador argentino celebrou amplamente a medida, avaliando-a como o melhor caminho para expandir a capacidade de produção nacional e a receita com os embarques do país. Por outro lado, analistas de mercado que acompanham o complexo soja ponderam que a Argentina continuará a desempenhar um papel muito mais relevante na formação de preços internacionais do que propriamente na disputa direta por volumes brutos embarcados. O país vizinho deve produzir cerca de 48 milhões de toneladas de soja e exportar em torno de 8 milhões de toneladas, volume que limita sua presença física e competitividade no comércio global do grão.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Retração de Preços em Chicago: As cotações futuras do trigo caíram 9% em menos de duas semanas, atingindo US$ 6,26 por bushel. O mercado desconsiderou o pior índice histórico das lavouras americanas afetadas pela seca e focou na perspectiva de aumento da oferta global com a colheita no Hemisfério Norte.

- Quebra de Safra e Importação no Brasil: A Conab projeta uma redução superior a 20% na safra de trigo brasileira em 2026, totalizando 6,4 milhões de toneladas em razão do recuo de área no Sul. Como o consumo nacional supera 12 milhões de toneladas, o país precisará importar cerca de 7 milhões de toneladas.

- Estímulo Fiscal na Argentina: O governo de Javier Milei implementará cortes graduais nos impostos de exportação agrícolas. A tarifa do trigo cai para 5,5% em junho, enquanto milho e soja passarão por reduções escalonadas até 2028 para impulsionar a receita e os embarques do país.

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