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Clima seco favorece colheita no Paraná, mas rentabilidade preocupa

Boletim do Deral aponta ritmo acelerado no campo favorecido pelo clima; pressões de preço desenham tendência de redução de área para trigo, arroz e mandioca

Deral divulga panorama de condições de tempo e cultivo sobre o início de junho
Deral divulga panorama de condições de tempo e cultivo sobre o início de junho -

Publicado por Eduarda Gomes

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O setor agropecuário do Paraná vive uma realidade de duas faces nesta primeira semana de junho. Se por um lado as condições climáticas foram altamente favoráveis para o avanço das máquinas no campo, por outro, a instabilidade dos preços de comercialização acendeu o sinal de alerta nas principais regiões produtoras do estado.

As informações são do Boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado na terça-feira (09). O predomínio de uma massa de ar seco e estável garantiu o ritmo acelerado da colheita e do manejo das culturas de inverno. Contudo, fatores econômicos começam a desenhar um cenário de retração de área para os próximos ciclos produtivos de importantes commodities.

RITMO NA SAFRINHA E NO CAFÉ

O milho segunda safra se consolida como o grande destaque positivo do período. Com o plantio totalmente concluído, as lavouras apresentam excelente desempenho, com 79% da área em boas condições. O miolo da safra se divide entre as fases de floração e frutificação, sustentando projeções otimistas de produtividade para o estado.

Outro setor beneficiado pelo tempo firme foi a cafeicultura. Com a colheita atingindo 95% das áreas, o clima seco permitiu um avanço expressivo e seguro na retirada do grão. Os técnicos apontam que o café colhido apresenta boa qualidade e carga produtiva satisfatória, com expressivo volume já direcionado para os armazéns de comercialização.

QUALIDADE DO FEIJÃO E PREÇOS

Apesar do tempo seco ter impulsionado a colheita da segunda safra de feijão (que já chega a 89% da área comercializável), o balanço final da cultura traz preocupações. Produtores registram perdas qualitativas decorrentes de geadas anteriores e do atraso na colheita em algumas praças, o que provocou o escurecimento de vagens e grãos. Para piorar o cenário do cotonicultor, os preços registraram forte retração no início da semana, forçando muitos produtores a reter o produto na expectativa de uma reação do mercado.

O descompasso financeiro também dita o ritmo das culturas de inverno e das lavouras de subsistência. Embora o plantio do trigo avance em ritmo normal, atingindo 78% da área projetada e apresentando excelentes condições de desenvolvimento, o Deral confirmou uma forte tendência de redução na área total a ser semeada neste ano, motivada exclusivamente por desestímulo econômico.

Cenário idêntico enfrentam os produtores de arroz irrigado e mandioca. Mesmo com colheitas dentro do cronograma e bons volumes extraídos, os preços praticados no mercado atual estão desalentadores. Como resposta imediata, o setor já planeja uma redução na área cultivada para o próximo ciclo produtivo de ambas as culturas.

PECUÁRIA EM ALTA

Na contramão da crise de preços agrícolas, a pecuária paranaense encontra um cenário confortável. A umidade residual no solo acumulada ao longo do último mês garantiu uma excelente recuperação da massa verde nas áreas de pastagem. Esse vigor vegetativo tem otimizado o manejo dos rebanhos, assegurando alimentação de qualidade e estabilidade na engorda do gado.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Aceleração no campo: O tempo seco generalizado em todo o Paraná permitiu o avanço rápido da colheita do café, milho safrinha e feijão, além de consolidar o plantio do trigo em condições ideais.

- Gargalo financeiro: Os preços baixos no mercado acenderam o alerta para os produtores de trigo, arroz e mandioca, sinalizando uma forte tendência de encolhimento de área cultivada nas próximas safras devido à baixa rentabilidade.

- Retenção e perda no feijão: Prejudicados por geadas anteriores e desvalorização cambial na abertura da semana, produtores de feijão enfrentam perda de qualidade no grão (escurecimento) e optam por segurar os estoques à espera de preços melhores.

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