‘Farmar aura’: psicóloga explica gíria e alerta para exposição nas redes sociais | aRede
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‘Farmar aura’: psicóloga explica gíria e alerta para exposição nas redes sociais

Termo popular entre adolescentes representa uma mudança na forma de buscar aceitação e pertencimento

Campeonato de "farmar aura" virou febre e está acontendo em diversas cidades do Brasil
Campeonato de "farmar aura" virou febre e está acontendo em diversas cidades do Brasil -

Mariele Alexandra Zanin

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As gírias fazem parte da linguagem de diferentes gerações e ajudam a retratar os costumes e comportamentos de cada época. Entre os adolescentes, uma expressão que ganhou popularidade recentemente é “farmar aura”, usada para definir situações em que uma pessoa busca se destacar, causar impacto ou até passar por situações inusitadas para conquistar reconhecimento e aprovação.

Segundo a psicóloga Simone Weckerlin Brustolin, apesar de o termo ser novo, o comportamento por trás dele não é tão diferente de uma necessidade presente em todas as gerações: a busca por aceitação e pertencimento. A diferença está na maneira como isso acontece atualmente. “Antigamente, nós tínhamos muito medo de passar vergonha. Tudo aquilo que levasse você para um perigo de se expor e uma possível vergonha, você tinha que tomar cuidado. E isso foi tão forte que agora parece que estamos no outro extremo”, explica.

Para a especialista, “farmar aura” pode representar justamente essa mudança. Em vez de evitar situações constrangedoras, alguns adolescentes podem entender que se expor, pagar um mico ou fazer algo inusitado pode aumentar a própria popularidade e fazer com que sejam percebidos pelos outros.

O problema, segundo Simone, aparece quando a busca por reconhecimento ultrapassa limites e leva a comportamentos perigosos. “Será que às vezes eu não vou me colocar numa situação de perigo, não vou me colocar em algum comportamento de risco, para ser aceito, para ser percebido, para ser validado, para ser pertencente?”, questiona.

Outro fator que diferencia a geração atual é a presença constante das redes sociais. Se antes a necessidade de aceitação estava concentrada principalmente nos ambientes frequentados durante o dia, como escola e grupos de amigos, hoje a exposição pode acontecer 24 horas por dia e alcançar um público muito maior.

A psicóloga explica que essa realidade pode levar crianças e adolescentes a um estado permanente de performance, em que existe a sensação de que é preciso produzir conteúdos constantemente, fazer algo diferente ou interessante e conquistar a aprovação dos outros. “Hoje é o tempo todo e é literalmente para o mundo todo. Então, olha a sobrecarga, como isso realmente pode acabar levando a criança e o adolescente para um estado permanente de performance”, destaca.

Nesse contexto, o acompanhamento dos pais e responsáveis se torna fundamental. Simone ressalta que crianças e adolescentes ainda estão em processo de desenvolvimento e podem ter dificuldade para avaliar sozinhos as consequências de determinadas atitudes.

Por isso, cabe aos adultos ajudar a refletir antes que um conteúdo seja publicado ou que uma situação de exposição aconteça. A orientação é conversar sobre possíveis consequências, comentários negativos e até situações que possam colocar a segurança dos jovens em risco.

Mais do que proibir o uso das redes sociais, a proposta é acompanhar e orientar. Para a psicóloga, os responsáveis precisam observar se determinados comportamentos estão causando sofrimento ou prejuízos à criança ou ao adolescente e, quando necessário, buscar ajuda profissional. Acompanhe as redes sociais da profissional no @psi.simonesingular e @singular.inteligenciaemocional.

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