A imersão que não se confirma

A atmosfera de medo e mistério transborda no trailer de ‘A Colina Escarlate’ (basta citar a mão de um ser das trevas agarrando uma menina). Junte o fato de o projeto conter dois ótimos atores com filmografia de personagens marcantes em termos de perturbação e vilania: Tom Hiddleston (alguém esquece de Loki, de ‘Thor’?) e Mia Wasikowska (quem assistiu ‘Segredos de Sangue’ é capaz de não lembrar de India?).
Além do mais, a direção de ‘A Colina Escarlate’ é assinada por ninguém menos que Guillermo del Toro, do excelente ‘O Labirinto do Fauno’. E a ambientação deste novo filme do diretor mexicano remete facilmente a ‘Drácula de Bram Stoker’, de Francis Ford Coppola: figurinos, cenários, iluminação, candelabros, quadros, lareiras, corredores, escadarias, janelas e muito vermelho. O escarlate, presente na própria terra da colina que dá nome ao filme, vem para representar amor e ódio, desejo e sangue. A correlação entre o trabalho de del Toro e Coppola é significativa. Tendo tudo isso como base fica difícil não criar boas expectativas com relação a este lançamento. Mas, acompanhando o filme, elas logo se dissipam.
‘A Colina Escarlate’ é um trabalho de altos e baixos, de um esquenta-e-esfria sem tamanho. O início é extremamente enrolado. E quando a trama toma fôlego, volta a tornar-se arrastada e sem muitos atrativos. Os fantasmas digitais estão distantes de assustar a personagem de Mia e, muito menos, o público.
O que sensibiliza em ‘A Colina Escarlate’ não são as aparições de seres sobrenaturais criados em computador e, sim, o comportamento de um dos personagens do trio principal. A própria composição dos ambientes é algo digno de elogio, como geralmente acontece nas produções de del Toro. Mas essas duas características não são suficientes para fazer com que o filme seja considerado memorável.





















