Além da sedução do paladar

‘A 100 Passos de um Sonho’ é um filme que tem tudo para aguçar o paladar. Seguindo na mesma linha de ‘Chocolate’ (2000), o diretor Lasse Hallström entrega agora outro filme gastronômico. Mas não só. A história esconde (ou revela) mais que uma “guerra” entre restaurantes concorrentes, como é possível ver em primeiro plano.
Desde muito cedo o jovem indiano Hassan (Manish Dayal) demonstra talento para a culinária e, em certo momento da vida, parte com o pai (Om Puri) e os irmãos para tentar a vida na França. Um acidente os faz parar em uma vila no interior do país e o patriarca resolve abrir um restaurante ali mesmo, julgando estar sob a orientação de sua esposa falecida. A família considera o projeto insano. Motivo: logo em frente já existe um tradicional e renomado estabelecimento de comida francesa, comandado com muita rigidez por Mallory (Helen Mirren).
A determinação e a argumentação do chefe da família para convencer os filhos a aceitar seu plano são contagiantes e fazem com que o espectador passe a prestar mais atenção na obra. Eles investem na ideia e, então, começa uma intensa disputa tendo a sedução do paladar dos clientes como arma e o concorrente como alvo. Cada batalha exige aprimoramento e é isso o que Hassan faz. Quem complementa a história é Marguerite (Charlotte Le Bon), aspirante a chef que trabalha com Mallory e passa a ter um envolvimento com Hassan.
Com base nessa trama, o filme fala de xenofobia, da força de uma família unida e da importância da busca constante pela excelência. Tudo bem: os pares amorosos, com sua dinâmica suave de afastamento e aproximação, colaboram para pavimentar o caminho para um desfile de clichês e situações previsíveis. Mas o filme, como um todo, é rico em leveza e sensibilidade. E esses dois ingredientes, obviamente, não fazem mal a ninguém.





















