Ladrão que rouba ladrão...

Trabalho em equipe, comemoração dos resultados alcançados, participação nos lucros, “programa” de treinamento. Se essas expressões levam o leitor a lembrar imediatamente do ambiente corporativo, saiba que, em ‘Golpe Duplo’, de Glenn Ficarra e John Requa, estão referindo-se a outro contexto. No caso, a uma quadrilha especializada em pequenos furtos que, de crime em crime, enche os bolsos. As referências a uma empresa têm sua razão de ser, uma vez que os integrantes desse grupo de larápios buscam gradualmente especializar-se, alcançarem o título de profissionais.
O “chefe” da turma é Nicky, interpretado por Will Smith. Altamente competente naquilo que se propôs a fazer, ele se envolve com a “estagiária” que busca uma vaga em sua equipe, Jess, vivida por Margot Robbie. Em dado momento, o filme como um todo sofre uma guinada e, então, quem dá as caras é Rodrigo Santoro, interpretando Garrida, um empresário do ramo automobilístico em Buenos Aires.
Pelo título, sinopse e trailer, ‘Golpe Duplo’ suscita a expectativa de que se trata de um filme recheado de manobras ardilosas, reviravoltas, descobertas e outras peripécias mais arquitetadas pelos roteiristas. Pois essa previsão se confirma. E isso é bom. O resultado é uma diversão sem grandes pretensões, aprazível como um happy hour. Nada espetacular, mas digno de um sorriso de satisfação aqui e ali. O elenco está afiado e o leque de personagens é composto integralmente por indivíduos moralmente corrompidos. Inexiste, portanto, a clássica, fácil e pobre divisão entre vilões e bonzinhos.
Para completar, a trilha sonora é atraente. Há inclusive uma cena bem divertida, envolvendo apostas de valores altíssimos, embalada por ‘Sympathy for the Devil’, dos Rolling Stones. E, acredite, a música tem boa justificativa para estar onde está. Algo como as mãos rápidas dos larápios, tantas vezes exibidas em ação durante o filme.





















