Mas que baita brincadeira despudorada! E provocativa | aRede
PUBLICIDADE

Mas que baita brincadeira despudorada! E provocativa

Imagem ilustrativa da imagem Mas que baita brincadeira despudorada! E provocativa
-

Tiago Bubniak

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

‘Relatos Selvagens’ é dirigido pelo argentino Damián Szifrón e não pelo espanhol Pedro Almodóvar. Mas poderia. Aliás, esse último está presente na ficha técnica: o filme foi produzido pela El Deseo, empresa de Pedro e do irmão, Agustín Almodóvar.

Fiel ao título, a película é composta por seis episódios, nos quais a palavra “selvagens” remete a um leque de características marcantes do diretor espanhol: excessos, humor negro, atitudes passionais, o trágico entrelaçado com o cômico. Tudo isso aparece antes mesmo dos créditos iniciais, no primeiro episódio (que, inclusive, lembra muito ‘Os Amantes Passageiros’, último filme de Pedro Almodóvar). A históriatem como cenário um avião em que todos, misteriosamente, possuem alguma ligação com uma pessoa em comum. De imediato, o espectador pode ter uma ideia do que virá.

O segundo episódio, o menos inspirado de todos, enfoca uma garçonete confrontada com o mafioso que complicou a vida de seu pai. Na sequência, a apresentação de uma briga de trânsito com cenas violentas torna inevitável não se perguntar qual a próxima bizarrice a surgir na tela.

O quarto episódio tem ares de ‘Um Dia de Fúria’ e traz Ricardo Darín (figura quase onipresente em filmes argentinos que chegam por aqui) no papel de um cidadão revoltado com a burocracia das multas de trânsito. Politizado, o “relato selvagem” flerta com Franz Kafka, o escritor que usa o excêntrico como metáfora para criticar o absurdo dos sistemas.

A qualidade dos relatos só aumenta com o passar do filme. A comprovação? A história de um milionário que tenta livrar o filho das complicações de um acidente. Impossível não rir do retrato absurdamente irônico da corrupção generalizada. O ponto alto está no sexto episódio: uma festa de casamento com difícil previsão de desfecho.

Do início ao fim, os relatos selvagens conduzidos por Szifrón fazem com que o espectador seja convidado a rir e, segundos depois, receba o golpe de uma ocorrência violenta ou dramática. Em geral,  eles evidenciam uma inteligente e bem dosada carga de sarcasmo, mesclando o trágico e o cômico em uma grande brincadeira despudorada. E provocativa, porque, entre tantas coisas, faz pensar sobre o limite frágil que separa civilização e barbárie.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right