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‘Lucy’ apresenta peso do estilo sobre o conteúdo

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Tiago Bubniak

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Já se comentou que Luc Besson tem a desvantagem de entregar maior percentual de estilo em comparação à substância. ‘Lucy’, filme recém-lançado pelo “mais hollywoodiano entre os cineastas franceses”, parece mesmo seguir nesse caminho. No entanto, a dose elevada de estilo em detrimento do conteúdo não chega a ser necessariamente um problema. A história está longe de ser genial, mas a forma como é contada atrai. A razão? O diretor entrega uma produção consideravelmente fundamentada naquilo que é a própria essência da sétima arte: a supremacia da imagem.

Scarlett Johansson é usada como chamariz da produção. Coube a ela o papel da personagem-título, que é apresentada ao espectador sem delongas (agilidade, aliás, é uma das características marcantes da película). Por estar em lugar inadequado na hora errada, Lucy acaba sendo transformada em “mula” de uma hora para outra. A droga implantada no ventre da protagonista passa a ser absorvida pelo seu corpo em razão de um incidente (que a câmera não hesita em escancarar). O efeito colateral? Uma ascendente capacidade de utilização do cérebro. Segundo estudos, o ser humano é capaz de usar apenas dez por cento de seu potencial cerebral. Lucy caminha para utilizar cem por cento.

O que acontece nesse processo é o alvo de toda a atenção da trama, que também tem como destaque entre os personagens o cientista Norman (Morgan Freeman). Dito isso, pode-se mencionar que ‘Lucy’ flerta sem pudor com dois filmes recentes: ‘Sem Limites’, com Bradley Cooper, e ‘Transcendence – A Revolução’, em cujo elenco, inclusive, consta o nome de Morgan Freeman.

O espectador tem a tendência de questionar-se onde, afinal de contas, o roteiro vai desembocar. Não se trata de nenhuma insanidade ou desrespeito suspeitar, lá pela metade da exibição, que o diretor cairá na armadilha de não conseguir dar conta de tudo o que arquitetou. Obviamente, é proibido expor aqui se isso efetivamente se confirma.

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