Afinal de contas, uma questão de fanatismo

Arrogante ao extremo, o professor de filosofia Radisson (Kevin Sorbo) exige, no primeiro dia de aula, que seus alunos cumpram duas tarefas simples: 1) escrever em um papel a afirmação ‘Deus está morto’ e 2) assinar debaixo da frase. Por comodismo, desdém ou mesmo crença no que foi exposto, todos os estudantes cumprem o pedido. Ou quase todos. Josh Wheaton (Shane Harper) recusa-se a acatar a ordem do professor por um motivo simples: não acredita no que deveria escrever e assinar.
Dessa forma é construída a base sobre a qual se sustenta ‘Deus Não Está Morto’, do diretor Harold Cronk. Como filme explicitamente religioso, elaborado para fortalecer os temas da fé e da atenção a Deus em uma sociedade altamente secularizada, a obra cumpre seu papel: atrairá multidões de pessoas religiosas (e talvez até ateus dispostos a ver o que, afinal, foi preparado para ser exposto na tela grande).
Como cinema em si, no entanto, o resultado é fraco. O roteiro, quando não se concentra no debate praticamente estéril oriundo da dicotomia aluno cristão/professor ateu, desliza para subtramas que dão a impressão de estar onde estão apenas para fazer do longa efetivamente um longa.
O debate não é completamente estéril (só “praticamente”) porque é possível divertir-se com um pouco de lógica e retórica nas argumentações extremamente polarizadas. O maniqueísmo é exacerbado, situação relacionada a uma profusão de clichês e resoluções fáceis e simplórias para questões apresentadas para serem recebidas como grandiosas. De resto, fica o óbvio: assim como não é possível provar cientificamente que Deus existe, também não é possível provar que não existe. É uma questão de fé.
Certamente o filme ficaria muito superior se aprofundasse a questão do diálogo (possível) entre fé e ciência. Convém mencionar que ‘Deus Não Está Morto’ foi elaborado também para ser uma espécie de “homenagem” a universitários processados por expressarem sua crença. Tendo isso em vista e aproveitando o pouco que o roteiro tem a oferecer, fica a lição: o fanatismo científico pode ser tão prejudicial quanto o religioso.





















