Parece telenovela, mas é filme

“Amar a si mesmo é o início de um amor para toda a vida”. A frase de Oscar Wilde aparece logo nos primeiros segundos de ‘Os Homens são de Marte... e é pra lá que eu vou’, filme dirigido por Marcus Baldini (‘Bruna Surfistinha’). A frase tem muito significado para Fernanda, a protagonista interpretada por Mônica Martelli. Logo após a citação da frase do famoso escritor irlandês, Fernanda contextualiza: o problema é que ela está se amando há anos. Ou, em outras palavras, está solteira. Aos 39 anos. E deseja veementemente casar-se. A ironia é que a personagem ganha a vida organizando festas de enlaces matrimoniais.
Providenciada essa rápida apresentação inicial, o roteiro mostra a saga (sim, o termo correto é este: saga) de Fernanda em busca do homem ideal. O trabalho é uma adaptação para o cinema do monólogo homônimo de Mônica Martelli. O material original vem dos palcos, mas o resultado na tela grande está muito próximo de um produto cultural típico e conhecidíssimo da telinha brasileira: a novela. Ritmo, exposição linear dos fatos, receio de investir em ousadias narrativas para evitar que o espectador “perca-se” no acompanhamento da história. São várias as características do filme que fazem lembrar uma telenovela.
Mas, afinal, isso é ruim? (1) Não necessariamente, afinal, o elenco conta com Paulo Gustavo. O grande responsável por ‘Minha Mãe é uma Peça’, é, também, mais do que a própria protagonista, o grande responsável pelo humor em ‘Os Homens são de Marte...’. Alguns, ainda, podem garimpar momentos/situações relativamente interessantes de reflexão sobre relacionamentos. (2) Em partes, o resultado é mediano: não há surpresas, o drama não chega a emocionar e o humor, excetuando aquele vindo do personagem de Paulo Gustavo, é fraquinho. Pode-se dizer que o filme vale o ingresso. Pelo menos, já é alguma coisa.





















