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Câmara vota pela continuação do processo contra Aliel

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| Autor: Afonso Verner

Afonso Verner

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Com três votos favoráveis, sete contrários e duas abstenções, a Câmara Municipal de Ponta Grossa aprovou o relatório da corregedoria da Casa e a continuidade do processo disciplinar contra o vereador Aliel Machado (PCdoB). A votação aconteceu durante a sessão de hoje (30) e foi cercada por debates acalorados entre os vereadores.

O processo que corre na corregedoria da Casa diz respeito ao depósito de R$ 2,4 milhões feito por Aliel na conta da Prefeitura de Ponta Grossa - a quantia é referente ao acordo entre a Viação Campos Gerais (VCG), Prefeitura e Sintropas (Sindicato dos Motoristas e Trocadores do transporte público) que pôs fim a greve no setor depois de 17 dias de paralisação.

O acordo gerou polêmica entre os vereadores e até mesmo o prefeito Marcelo Rangel (PPS) se mostrou contra ao repasse. A medida foi proposta por Aliel Machado durante uma audiência de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e assinada pelo representantes da Prefeitura, o secretário de planejamento João Ney Marçal Júnior.

As duas abstenções foram do próprio Aliel, que disse preferir não votar já está diretamente ligado a investigação, e do vereador Jorge da Farmácia (PDT). "Fico triste em estar aqui nessa situação, mas isso faz parte do ofício. Gostaria que os vereadores tivessem lisura no processo de investigação, já que eu tive coragem de pensar na população de Ponta Grossa que sofria com a greve", contou Aliel.

Documentos serão enviados ao Tribunal de Contas

Com a aprovação do relatório, toda a documentação sobre o depósito feito por Aliel será enviada ao Tribunal de Contas (TC) para análise. O próprio Aliel apresentou um documento do Tribunal que provaria a legalidade da medida. Já os vereadores da oposição dizem que a pergunta feita pelo presidente foi 'direcionada' e que a resposta não é válida.

Relator se irrita com Aliel

O relator da Corregedoria, Sebastião Mainardes (DEM), ficou irritado com as críticas feitas por Aliel Machado (PCdoB) sobre o relatório do processo. "Eu só assumi o cargo de relator da corregedoria da Casa porque ninguém se dispôs a isso. Durante o relatório eu só levei em conta a denúncia feita membros da mesa diretora", criticou Mainardes.

Daniel Milla pede investigação técnica

Ao falar sobre a infestigação, o vereador Daniel Milla (PSDB) teve o discurso mais conciliador e calmo de toda a sessão. "Nós temos que levar em conta os critérios técnicos. Já sabemos que a Mesa Executiva pode sim devolver dinheiro ao Legislativo. Queremos saber se para isso é preciso um projeto de lei ou não e se o que o Aliel fez foi legalmente correto. Ou seja, não queremos saber da politicagem, mas sim dos aspectos técnicos", explicou Milla.

Pietro aponta para "perca de tempo"

O oposicionista Pietro Arnaud (PDT) argumenta que a situação está envolvida no clima pré-eleitoral e que a investigação perdeu sentido quando o prefeito, Marcelo Rangel (PPS), enviou para a Casa um projeto de lei utilizando o repasse. "Nós estamos perdendo tempo discutindo uma investigação sem sentido algum. Deveríamos falar sobre a contabilidade da VCG", criticou Arnaud.

Impasse pode provocar nova greve

O impasse envolvendo a verba de R$ 2,4 milhões que seria repassada ao transporte público pode provocar uma nova greve no setor - a paralisação deste ano durou 17 dias e já era a maior do Brasil em andamento. Na última quinta-feira (27), Ricardo Peloze, presidente do Sintropas-PG, foi até a Câmara para uma reunião com os vereadores.

O sindicalista ressaltou a importância do repasse que garantiu o reajuste dos trabalhadores sem aumento da passagem e não descartou uma nova paralisação.

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