'Saga' de criança por vaga em Hospital revolta vereador | aRede
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'Saga' de criança por vaga em Hospital revolta vereador

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Afonso Verner

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Mateus tem apenas quatro anos de idade, mas passou por uma prova de fogo desde a última terça-feira (01/04). O garoto reclamava de fortes dores intestinais e, por isso, foi levado pelos pais até um Centro de Atendimento à Saúde (CAS) da cidade - o primeiro diagnóstico foi de rotavírus.

O problema é que a falta de vagas na cidade e o diagnóstico tardio e, aparentemente incorreto, fizeram com que a criança peregrina-se por hospitais da cidade. A situação envolveu (e revoltou) o vereador e presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa, Aliel Machado (PCdoB).

Aliel foi procurado pelo pai da criança, César Cassiano da Silva, por volta das 19 horas de ontem (05/04). A demora pela vaga foi tanta que a transferência só foi conseguida nas primeiras horas deste domingo - Mateus foi transferido para o Hospital Angelina Caron, em Curitiba, por volta das 2h30 de hoje.

Por telefone, o vereador Aliel criticou o sistema de Saúde da cidade. "Vários erros foram cometidos. O garoto sentia dores desde terça-feira e o quadro se agravou muito. A equipe do Hospital da Criança nem mesmo colocou uma sonda no menino", argumentou o vereador.

Aliel chamou a atenção para a rescisão do contrato entre a Prefeitura da cidade e a empresa que prestava serviços no centro cirúrgico no Hospital da Criança - segundo o vereador o rompimento foi causado pela falta de pagamento por parte do Município. "Se esse contrato não estivesse sido rompido, o garoto teria sido operado aqui mesmo e não sofreria tanto como acabou sofrendo", criticou o presidente da Câmara.

Ainda na noite de ontem, Mateus foi transferido para o Hospital Bom Jesus em um sistema conhecido como 'Vaga Zero' - caso em que mesmo o Hospital tendo todas as vagas ocupadas, a equipe médica é obrigada a receber o paciente. Segundo Aliel, nesse tipo de transferência o médico teria que acompanhar a criança de um hospital para o outro, o que, de acordo com o vereador, não aconteceu. "Além de um diagnóstico pobre, a criança foi transferida apenas com uma técnica de enfermagem", contou Machado.

Segundo Aliel, Mateus chegou no Bom Jesus e ficou alguns minutos no corredor, com muita dor, até ser atendido. A equipe médica do Hospital ficou preocupada com a situação da criança, com a falta de informações sobre o quadro do paciente e revoltada com a demora na transferência. "Nós já tínhamos ido atrás de uma cirurgia particular, porque a criança corria risco de vida", contou Aliel.

O pai de Mateus, César, contou que o diagnóstico errado fez com que o filho sofresse demais. "Nós internamos ele na sexta-feira de manhã no Hospital da Criança e passamos todo o sábado esperando a cirurgia. Mas só nós deram retorno quando procuramos uma autoridade", contou César.

A saga de Mateus

A criança foi internada no Hospital da Criança na sexta-feira pela manhã - depois de sofrer com dores desde a última terça. Após esperarem durante todo o sábado pela cirurgia, os pais do garoto foram avisados de que o menino seria transferido para Campo Largo - essa mesma transferência foi cancelada sem maiores explicações e Mateus continuou com dores, agora em cima de uma maca no corredor do Hospital Bom Jesus.

De acordo com a família da criança, a transferência de Mateus para o Bom Jesus foi tumultuada: além de não ter sido acompanhado para o médico, o garoto não teria passado pelos procedimentos adequados. Mateus deveria ter sido operado no Bom Jesus, mas pela falta de vagas e de profissionais especializados, a família e Aliel chegaram a cogitar pagar uma cirurgia particular.

Por volta das 23h50, a Central de Leitos conseguiu uma vaga para Mateus no hospital Angelina Caron, em Curitiba. Uma outra 'batalha' começou: agora a luta foi em busca de uma ambulância. Um veículo particular foi pago para levar a criança até o hospital na capital do Estado.

Aliel explicou que esse veículo veio de Irati  para trazer um paciente ao Bom Jesus e, depois muita conversa, o motorista e o médico concordaram em fazer o transporte de Mateus - para a realização do transporte um contrato no valor de R$ 2700,00 teve que ser assinado pelo vereador e pela família do menino.

Erro no diagnóstico

Mateus deu entrada no Hospital Angelina Caron por volta das 4h40 da manhã de hoje. O garoto não foi operado porque, segundo a família, o quadro não passou de um "diagnóstico tardio e equivocado". O que chegou a ser cogitado primeiro como rotavírus, apendicite e obstrução intestinal, não passava de uma infecção mal medicada no intestino, de acordo com equipe do hospital em Curitiba.

Regional de Saúde

O chefe da 3ª Regional de Saúde de Ponta Grossa, Jaime Nogueira, foi procurado pela equipe de reportagem do Portal aRede e, por telefone, disse que só soube da situação por volta das 0 horas de hoje, quando a vaga já tinha sido conseguida. Jaime disse não ter conhecimento sobre os possíveis erros de procedimento no diagnóstico, transferência e transporte de Mateus até Curitiba.

A equipe de reportagem também tentou contatar o Hospital da Criança e o Bom Jesus, mas não obteve resposta.

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