'Habitação é fundamental', diz urbanista sobre projeto de requalificação em PG
Henrique Wosiack Zulian, conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, comenta sobre intervenções projetadas para o Centro de Ponta Grossa

O centro de Ponta Grossa, apesar de possuir grande relevância histórica, foi marcada pelo aumento de imóveis ociosos falta de atratividade para a população. Foi com base neste diagnóstico que presidente do Secovi-PR, Carlos Tavarnaro, apresentou um projeto de revitalização da região. A ideia foi aprovada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG) e reúne intervenções que buscam devolver para a cidade um centro movimentado novamente.
Com base na proposta, o conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, diz que a requalificação do Centro de Ponta Grossa deve ir além de intervenções estéticas. O profissional destaca que um dos principais fatores para devolver o protagonismo na região diz respeito a habitação. "Uma cidade só permanece viva quando existem pessoas morando, trabalhando, estudando e utilizando seus espaços ao longo de todo o dia. Quando o centro perde moradores, surgem imóveis vazios, terrenos sem uso e uma sensação de abandono que acaba afastando ainda mais a população", afirma.
Além disso, o urbanista defende que o termo “requalificação” define melhor o que o projeto quer realizar, mesmo que ajam ações de "revitalização". "Não podemos nos ater apenas a uma reforma estética de calçadas, iluminação ou facilitações para criação de polos gastronômicos. Tudo isso é importante, mas o verdadeiro motor da revitalização são as pessoas", diz Zulian.
Para o urbanista, políticas de habitação no Centro são fundamentais, uma vez que recuperar e estimular o uso de edifícios ociosos faz com que a infraestrutura que a cidade já possui volte a ser utilizada. Zulian diz que o conjunto destas ações, além de auxiliar na solução do problema, reduz a necessidade de expandir o perímetro urbano, diminui os custos públicos e fortalece o comércio local.
Em relação a Arquitetura e Urbanismo integrada no projeto, Zulian destaca que a estrutura precisa ser séria, precisa e humana. "A cidade carece de árvores e canteiros, precisa urgentemente de uma política de regulamentação de placas de publicidade em frente aos edifícios, precisa de espaços de permanência, valorização do pedestre, calçadas de qualidade, mobiliário urbanos de qualidade e resgate de pedras históricas nas vias", pontua.
Segundo o profissional, o grande desafio do projeto será transformar as intervenções em uma política permanente de ocupação do Centro, porque "Ponta Grossa não vai ter o seu centro requalificado apenas com obras, mas sim quando o habitante se sentir confortável em ocupar e habitar tais espaços".
Estudo urbanístico
Em 2023, quando Ponta Grossa celebrou o seu bicentenário, o urbanista desenvolveu um estudo urbanístico que também envolvia as áreas centrais de Ponta Grossa. A proposta buscou analisar como os vazios urbanos poderiam receber novos edifícios, espaços públicos e uma ocupação mais intensa.
Tudo isso sendo pensado junto de uma mobilidade urbana mais efetiva, através de diferentes modais convivendo no mesmo espaço, valorizando a cidade que já existe e repensando muitos dos locais destacados na matéria.
O urbanista
Henrique, é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Além disso, o profissional tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa.
Leia o resumo da notícia
- Requalificação vai além das obras: O urbanista Henrique Zulian defende que a recuperação do Centro de Ponta Grossa depende principalmente de incentivar a moradia e a ocupação de imóveis ociosos, tornando a região viva durante todo o dia.
- Projeto prioriza qualidade urbana: Além das intervenções previstas, Zulian destaca a necessidade de mais arborização, calçadas de qualidade, mobiliário urbano, valorização dos pedestres e regulamentação da publicidade para tornar o Centro mais atrativo.
- Ocupação permanente é o desafio: Para o especialista, o sucesso da requalificação depende de políticas contínuas de habitação e uso do Centro, reduzindo a expansão urbana, fortalecendo o comércio e estimulando a presença constante da população na região.





















