Acipg e Iplan defendem revitalização do Centro de PG e destacam planejamento
Entidades apontam potencial para impulsionar economia e qualidade de vida, mas destacam necessidade de planejamento

Apesar da relevância histórica, econômica e simbólica do Centro de Ponta Grossa, a região está marcada pelo aumento de imóveis ociosos e a necessidade de tornar a região mais atrativa para moradores e comerciantes. Com base nesse diagnóstico, um projeto de requalificação do Centro foi aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG). A proposta, apresentada pelo presidente do Secovi-PR, Carlos Tavarnaro, reúne mudanças urbanísticas, revisão da legislação e intervenções em espaços públicos, buscando devolver o protagonismo ao coração da cidade.
Além do apoio do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG), a proposta também recebeu avaliação positiva da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), entidade que participou das discussões e da aprovação do projeto. Segundo o diretor de Arquitetura e Urbanismo da Acipg, Fabiano Gravena, a requalificação do Centro é uma medida necessária para recuperar a competitividade da região.

“O Centro é historicamente o principal polo comercial e de serviços da cidade, mas vem perdendo atratividade ao longo dos anos. Uma requalificação planejada é fundamental para valorizar os imóveis, melhorar a segurança, a mobilidade e devolver à região sua importância econômica e social”, afirmou.
De acordo com Gravena, a expectativa da entidade é que a proposta avance com uma governança estruturada, cronograma definido e participação efetiva do setor produtivo. Para a Acipg, é essencial que o projeto seja acompanhado por metas de curto, médio e longo prazo, além de contar com recursos garantidos e o envolvimento de proprietários, comerciantes e prestadores de serviços. “A expectativa é ver um plano de ação concreto. Sem execução, existe o risco de que mais um estudo fique apenas no papel”, ressaltou.
Sobre a participação do poder público, o diretor destacou que a prefeitura desempenha papel central para viabilizar investimentos em infraestrutura, alterações na legislação urbanística e melhorias na segurança pública. Embora a entidade apoie os principais eixos da proposta apresentada pelo Secovi-PR, Gravena considera importante que ajustes técnicos sejam discutidos em conjunto com o município e a iniciativa privada.
Entre as medidas consideradas mais viáveis para implementação no curto prazo, a Acipg aponta ações de zeladoria urbana, reforço da iluminação pública, revisão das regras de uso e ocupação do solo, incentivos para a ocupação de imóveis vazios e fachadas ativas, além de melhorias na sinalização, limpeza, paisagismo e segurança preventiva. “São iniciativas capazes de gerar impacto visual e aumentar a sensação de segurança da população com menor custo e em um prazo mais curto”, explicou.
Apesar do potencial transformador da proposta, Gravena destaca que o projeto ainda enfrenta desafios importantes, como a articulação entre o poder público e a iniciativa privada, a disponibilidade de recursos, a burocracia para regularização de imóveis e a necessidade de garantir a continuidade das ações independentemente dos ciclos políticos.
Pontos positivos apontados
Na avaliação da entidade, a revitalização do Centro poderá impulsionar novos investimentos, reduzir a vacância comercial e atrair novos segmentos econômicos para a região.
“Um Centro revitalizado fortalece todo o ecossistema empresarial, desde o varejo tradicional até os setores de serviços, gastronomia e economia criativa. Isso significa mais faturamento, geração de empregos, aumento da arrecadação e mais competitividade para Ponta Grossa”, afirmou.
Segundo o diretor, a proposta também pode estimular a abertura de novos negócios e ampliar a oferta de vagas formais no comércio, nos serviços, na alimentação e no lazer. Além disso, a requalificação urbana criaria condições favoráveis para atividades ligadas à economia noturna, espaços de coworking e iniciativas culturais.
Gravena acredita ainda que a revitalização será fundamental para aumentar o fluxo de consumidores no Centro. Para ele, a população busca cada vez mais ambientes seguros, confortáveis e com diversidade de opções. “O consumidor procura experiência e qualidade. Quando bem executada, a revitalização transforma a percepção sobre a região e faz com que o Centro volte a ser visto como um destino, e não apenas como um local de passagem”, destacou.
Ao final, a Acipg reforçou que continuará contribuindo tecnicamente para a construção e o acompanhamento das próximas etapas do projeto de requalificação da área central de Ponta Grossa.
IPLAN destaca planejamento técnico para revitalização do Centro
Na avaliação do presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (IPLAN), Rafael Mansani, a revitalização da região central depende de um planejamento estruturado e integrado, capaz de unir diferentes áreas do desenvolvimento urbano.

Segundo ele, o Centro continua sendo o principal espaço de referência da cidade, concentrando atividades comerciais, serviços, patrimônio histórico e grande circulação de pessoas. Por isso, um projeto de requalificação precisa ir além de intervenções pontuais. “Um projeto estruturado permite integrar ações de mobilidade, acessibilidade, paisagismo, segurança, desenvolvimento econômico e preservação do patrimônio, evitando medidas isoladas e garantindo uma transformação consistente e duradoura”, afirmou.
Mansani destacou ainda que o processo deve ser conduzido com planejamento técnico e participação da sociedade, priorizando soluções que fortaleçam a ocupação dos espaços públicos e valorizem a identidade histórica da região central.
Ao analisar a situação atual do Centro de Ponta Grossa, o presidente do IPLAN afirma que, assim como ocorreu em outras cidades brasileiras, parte das atividades econômicas e dos investimentos migrou para outras regiões ao longo das últimas décadas. Esse movimento trouxe desafios relacionados à ocupação dos espaços públicos, à mobilidade urbana, à acessibilidade e à necessidade de modernização da infraestrutura.
Apesar disso, Mansani ressalta que a área central mantém sua relevância como um dos principais polos comerciais e de serviços do município. “O Centro possui enorme potencial de revitalização em razão de sua localização estratégica, do patrimônio histórico e da intensa circulação diária de pessoas”, destacou.
Para o presidente do Instituto, uma região central mais movimentada também contribui diretamente para a segurança e para a qualidade de vida da população. Segundo ele, espaços públicos bem cuidados e ocupados estimulam a convivência, fortalecem o comércio local e ampliam a sensação de segurança.
“Ambientes com maior circulação de pessoas e atividades comerciais diversificadas tendem a tornar a cidade mais humana. Além disso, investimentos em calçadas acessíveis, travessias seguras, paisagismo, iluminação e mobilidade ativa incentivam deslocamentos a pé e tornam a região mais agradável para moradores, trabalhadores e visitantes”, explicou.
O presidente lembrou ainda que o IPLAN já desenvolveu projetos de revitalização para a Rua Fernandes Pinheiro e para o entorno da Praça Marechal Floriano Peixoto. As propostas foram construídas com a participação da comunidade, por meio de audiências públicas voltadas ao levantamento das demandas da população e à apresentação das soluções planejadas.
Segundo Mansani, o município já possui estudos técnicos para futuras intervenções na região central. Os projetos contemplam melhorias em calçadas, acessibilidade, paisagismo, mobiliário urbano e reorganização da circulação de veículos e pedestres. “Essas propostas representam uma importante base técnica para futuras intervenções e demonstram que o município já vem desenvolvendo estudos voltados à requalificação urbana, sempre buscando alinhar planejamento técnico, participação popular e valorização dos espaços públicos”, concluiu.
O Portal aRede entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa para obter um posicionamento sobre a proposta de requalificação da região central e os possíveis encaminhamentos do projeto. No entanto, até a publicação desta reportagem, a administração municipal não se manifestou sobre o tema.





















