Diocese de PG celebra centenário com 10 mil fiéis
Em um domingo de sol, comunidades dos 17 municípios se reuniram no Centro de Eventos para agradecer 100 anos de evangelização, memória e missão

O sol apareceu como quem também queria participar da festa. Depois de dias de expectativa, trabalho intenso e preocupação com a chuva, a manhã de domingo abriu caminho para uma tarde luminosa no Centro de Eventos de Ponta Grossa. Ali, no dia 10 de maio de 2026, a Diocese de Ponta Grossa viveu uma das celebrações mais marcantes de sua história: a Santa Missa em Ação de Graças pelo seu Centenário.
Cerca de 10 mil pessoas, vindas das 52 paróquias e dos 17 municípios que compõem a Diocese, reuniram-se para celebrar 100 anos de vida, comunhão, esperança e missão. O grande encontro diocesano reuniu fiéis leigos e leigas, catequistas, ministros, lideranças pastorais, religiosos, religiosas, diáconos, seminaristas, sacerdotes, bispos do Paraná e autoridades civis e militares. Mais do que uma comemoração, a celebração tornou visível uma história construída no silêncio das comunidades, no serviço das pastorais, na fé das famílias e na dedicação de tantas gerações.
Antes mesmo do início da missa, o Centro de Eventos já se transformava em território de encontro. Caravanas chegavam de diferentes cidades, bandeiras das paróquias ocupavam o espaço, famílias se acomodavam sob as tendas e os setores da Diocese se reconheciam em festa. Uma das imagens mais simbólicas do dia veio ainda perto do meio-dia, quando chegaram ao local os peregrinos que vieram a pé de Piraí do Sul até Ponta Grossa. José Carlos Godoi, Jorge Wrobel, Daniel Gimenez, Adalberto Martins e Mattheus Silva haviam iniciado a caminhada dias antes, levando no corpo o cansaço da estrada e, no coração, o sentido profundo da peregrinação. A chegada deles ao Centro de Eventos tornou-se um sinal concreto da fé que caminha, atravessa distâncias e chega ao altar como oferta.
A programação teve início com a acolhida das paróquias. Em ordem histórica, desde as comunidades mais antigas até as paróquias jubilares criadas no contexto do centenário, representantes entraram no espaço celebrativo acompanhados de cantos ligados a seus padroeiros. Foi uma verdadeira linha do tempo viva. Da Paróquia Sant’Ana de Castro, fundada em 1774, à Paróquia Santa Luzia, a mais nova da Diocese, criada em dezembro de 2025, cada comunidade levou ao centro da celebração um pedaço da história diocesana.
Ao recordar a criação da Diocese, em 10 de maio de 1926, pela bula do Papa Pio XI, também foram lembradas as raízes de uma Igreja que nasceu a partir do desmembramento da Diocese de Curitiba e que, ao longo de um século, cresceu em paróquias, comunidades, vocações e serviços. No mesmo ato de criação, também nasceram a Diocese de Jacarezinho e a Prelazia de Foz do Iguaçu, hoje Diocese de Foz do Iguaçu, ambas representadas na celebração.
A memória de uma Igreja reunida
A Santa Missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Bruno Eliseu Versari, e concelebrada por bispos, sacerdotes do clero diocesano e religiosos. Também participaram da celebração o bispo emérito da Diocese de Ponta Grossa, Dom Sergio Arthur Braschi, e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, arcebispo emérito de São Salvador da Bahia e ex-bispo da Diocese de Ponta Grossa.
Durante a apresentação das autoridades religiosas, foram acolhidos bispos do Regional Sul 2 da CNBB e de outras dioceses, entre eles Dom Jeremias Steinmetz, arcebispo de Londrina e presidente do Regional Sul 2; Dom José Antônio Peruso, arcebispo de Curitiba; Dom Volodemer Koubetch, arcebispo metropolita da Metropolia Católica Ucraniana São João Batista; Dom José Mário Scalon Angonese, arcebispo de Cascavel; Dom Francisco Carlos Bach, arcebispo de Joinville; Dom Severino Clasen, arcebispo de Maringá; Dom Evandro Luiz Braun, bispo de Campo Mourão; Dom Mário Spaki, bispo de Paranavaí.
Entre as autoridades civis estiveram presentes a prefeita municipal de Ponta Grossa, professora Elizabeth Silveira Schmidt; o deputado federal Sandro Alex; os deputados estaduais Mabel Canto e Marcelo Rangel; o presidente da Câmara Municipal, vereador Julio Kuller; vereadores, representantes do Governo do Estado, autoridades militares e representantes de municípios da região. Também estiveram presentes representantes das forças de segurança e militares.
Em sua homilia, Dom Bruno conduziu o povo por uma memória agradecida da Diocese. Recordou os pioneiros, os tropeiros, migrantes, famílias e comunidades que ajudaram a formar a presença católica nos Campos Gerais. Também fez memória dos bispos que conduziram a Diocese ao longo do século. “Celebrar o centenário é oportunidade para fazer memória dos pioneiros, bispos, padres, religiosos e religiosas, homens e mulheres que, por inspiração divina, acamparam por estas terras”, afirmou Dom Bruno. O bispo também agradeceu aos padres, religiosos, religiosas, diáconos, seminaristas, jovens e leigos que continuam a missão evangelizadora nas comunidades. Aos jovens, dirigiu uma palavra de esperança: “Vocês sonham com o futuro com os pés em nosso tempo. Coragem, vocês são a esperança dos nossos dias”.
Catequistas instituídos no ano do centenário
A celebração também foi marcada pela instituição de catequistas no Ministério de Catequista. Após a proclamação do Evangelho e a homilia, os catequistas foram chamados nominalmente e responderam “eis-me aqui”, assumindo publicamente o serviço de anunciar a Palavra e formar discípulos missionários nas comunidades.
O rito teve um significado especial dentro da celebração jubilar. Ao instituir os catequistas, Dom Bruno abençoou homens e mulheres escolhidos entre as comunidades para viver de modo estável esse ministério na Igreja. Eles receberam a cruz e a Sagrada Escritura, sinais da missão que lhes foi confiada.
A instituição dos catequistas, no dia do centenário, recordou a multidão de homens e mulheres que, ao longo de 100 anos, mantiveram acesa a chama da fé nas famílias e comunidades. Na oração do rito, a Igreja pediu que os novos ministros vivam plenamente o batismo e cooperem com os pastores no anúncio do Evangelho e na transmissão da fé.
Um passado agradecido, um futuro em missão
Ao final da celebração, a prefeita Elizabeth Schmidt falou em nome dos prefeitos dos 17 municípios que compõem a Diocese. Em seu pronunciamento, destacou que a Diocese de Ponta Grossa abrange aproximadamente 700 mil habitantes, 52 paróquias e 640 comunidades católicas. Também recordou a presença dos seis bispos que conduziram a Diocese ao longo de sua história e ressaltou a contribuição da Igreja para a formação humana, a solidariedade, o cuidado com as famílias e a promoção da dignidade.
Dom Jeremias Steinmetz, presidente do Regional Sul 2 da CNBB, também dirigiu uma palavra ao povo reunido. Ele destacou a importância histórica de Ponta Grossa para a evangelização no Paraná e lembrou que, há 100 anos, a criação das dioceses de Ponta Grossa e Jacarezinho possibilitou que Curitiba se tornasse sede de uma província eclesiástica. “Hoje somos 20 dioceses no Paraná, praticamente todas representadas aqui com seus bispos, seus pastores, para nos unirmos a vocês nesse momento de graça, de alegria e de uma história vencedora”, afirmou.
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, que conduziu a Diocese de Ponta Grossa entre 1991 e 1997, resumiu o sentimento do dia recorrendo às palavras de Nossa Senhora: “O Senhor fez em mim maravilhas”. Para ele, essa expressão sintetiza a história da Diocese. “Quantas graças, benefícios e dons o Senhor distribuiu nesta Diocese ao longo de 100 anos. Mas a um dom corresponde uma responsabilidade. Certamente Ele espera que, com generosidade, alegria e amor, renovemos a nossa decisão de servi-lo”, disse.
Dom Sergio Arthur Braschi, bispo emérito, também dirigiu uma mensagem aos fiéis, agradecendo a Dom Bruno e incentivando a Diocese a continuar sua caminhada. “Que nós possamos, de fato, dar sequência, a partir deste 10 de maio, aos novos 100 anos, construindo mais vida, esperança, comunhão e participação que leve a missão do Reino de Jesus Cristo para o futuro”, afirmou.
Gratidão por quem construiu a celebração
Antes da bênção final, Dom Bruno agradeceu às equipes que prepararam o centenário. Recordou que a celebração começou a ser construída muito antes do dia 10 de maio, desde a escolha do tema “100 anos de vida e comunhão, esperança e missão”, a composição da oração do centenário por Dom Sergio, a música oficial, as visitas missionárias, os detalhes litúrgicos, os paramentos, a ornamentação e o trabalho das equipes de serviço.
O bispo agradeceu de modo especial às 16 equipes envolvidas na organização, aos missionários do jubileu, aos patrocinadores, ao Governo do Estado, à Prefeitura de Ponta Grossa, aos fiéis que contribuíram com a campanha em favor do evento, aos padres, diáconos, bispos e a todas as pessoas que vieram de perto e de longe para participar.
Ao término da missa, Padre Atanagildo Vaz Neto, chanceler da Diocese, leu a ata solene da celebração, registrada para a memória histórica e eclesial. O documento destacou a presença do povo de Deus, a procissão com a imagem de Nossa Senhora, Mãe da Divina Graça, a celebração presidida por Dom Bruno, a instituição dos catequistas, os pronunciamentos e a bênção final.
Depois da celebração eucarística, a festa continuou com a apresentação da Comunidade Católica Shalom, que animou os fiéis com música, louvor e alegria, especialmente os jovens. O mesmo espaço que havia acolhido a solenidade da missa transformou-se em lugar de convivência, fraternidade e celebração.
Com informações de assessoria de imprensa





















