Debate sobre 'Contorno' de PG avança, mas agro critica falta de diálogo da concessionária
Em entrevista exclusiva ao Portal aRede, o produtor rural e diretor da Faep, Gustavo Ribas Netto, traz detalhes da reunião realizada com a ANTT nessa terça-feira (17)

O setor produtivo do agronegócio requer maior diálogo com a concessionária Motiva Paraná para construir o projeto do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa. Em entrevista concedida ao Jornalismo do Grupo aRede, Gustavo Ribas Netto, diretor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e conselheiro de Agricultura do Portal aRede, explicou detalhes da reunião realizada com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) dessa terça-feira (17).
Netto participa ativamente do debate sobre o contorno junto à Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) e ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (Cdepg). Para o produtor, o contorno não é somente do município de Ponta Grossa, mas de todo o estado. "Ele é essencial para o Paraná, mas não pode prejudicar o crescimento da nossa cidade, nem o trabalho feito pelo agronegócio", argumenta.
Netto conta que o encontro realizado de forma híbrida, com representantes do Poder Executivo ponta-grossense em Brasília e entidades participando virtualmente, o deputado federal Aliel Machado (PV) intermediou a conversa com a ANTT de forma positiva para a proposição das demandas. Após esta reunião, novas agendas com as comitivas de Ponta Grossa e região devem ser realizadas em breve. "Os técnicos locais são os que têm maior conhecimento e expertise sobre o que acontece aqui", defendeu Netto.
Demandas do agronegócio
São elencadas duas principais necessidades do setor rural com relação ao projeto do novo contorno rodoviário. A primeira tem relação com a área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Não é só tirar dela dali", disse Netto.
O produtor explica que os dados ali produzidos serão contaminados caso a rodovia seja implantada no local, o que afeta diretamente na qualidade produtiva do agronegócio do sul do país. "O Paraná produz cerca de 12% de toda a riqueza do agro. Veja a importância que estas pesquisas têm, principalmente por estarem locadas perto de onde fazemos a nossa atividade".
O segundo ponto de Netto é a possibilidade do traçado cortar propriedades. "A segurança alimentar do país está em função desta produção". Ele questiona como será feita a logística dos produtores, visto que muitas destas atividades são feitas com a necessidade de mobilidade do gado e das máquinas, como pulverizadores e colheitadeiras.
Escoamento da produção
Entre os propósitos do contorno rodoviário está a melhoria do escoamento da produção agropecuária. Netto cita que, atualmente, três avenidas são utilizadas pelos transportadores: a Avenida Presidente Kennedy, a Avenida Souza Naves, e a Avenida Visconde de Mauá. "A nossa região é o maior entroncamento rodoferroviário do sul do país, com estes trechos atravessando as rodovias", critica Netto.

Ele defende um contorno mais extenso para solucionar estes desafios. "A concessionária chegou a propor 37 km, mas a concessão fala em 42,35 km", declarou. Ainda sobre a obra rodoviária, Netto afirma que as diretrizes propostas por parte do Cdepg endossam o uso da Rodovia do Talco, o qual a concessionária prevê asfaltar parte dela na integração com o contorno. À Redação, ele afirma que o secretário de Infraestrutura do Paraná, Sandro Alex, se comprometeu a concluir o asfalto da Rodovia do Talco até o aterro sanitário.
Diálogo com a concessionária
Questionado sobre uma avaliação geral do debate promovido até agora com a ANTT (poder concedente) e a Motiva Paraná (concessionária), Netto afirma que, por parte da Motiva, somente uma foto foi apresentada à sociedade civil organizada. "O discurso da concessionária é de que existiu conversa, mas ela não trouxe e não encaminhou o projeto", disse.
Netto enfatiza a importância da obra e o valor investido, que chega a R$ 1 bilhão. A reportagem questiona o produtor sobre uma data plausível para a sociedade civil organizada receber o traçado oficial. "A gente tem que fazer um projeto adequado, em quantas vezes forem necessárias. Poderia ter sido acertado em uma vez se tivesse feito um grande diálogo", declarou Netto.
Diante dos desafios apresentados, o setor produtivo reforça que o avanço do contorno rodoviário depende de diálogo efetivo e ajustes técnicos que conciliem desenvolvimento logístico com a preservação da produção agropecuária na região.




















