Os ensinamentos do caso 'Ana Maria'

Com aquele velho e bom ânimo do começo do ano, olhei para o calendário e na hora lembrei: há pouco mais 365 dias a vereadora Ana Maria de Holleben dava o ponta pé inicial em uma novela mexicana que, por muito pouco, não teve fim! Depois de sumir sem motivações aparentes, Ana Maria reapareceu (mas para reaparecer não é preciso primeiro sumir de verdade?) e ali começou uma saga que só teria fim com a vereadora renunciando ao cargo.
Pasme leitor: de todo esse imbróglio sem fim eu, um otimista por natureza, consigo ver alguns ensinamentos deixados por Ana Maria e por essa novela mexicana sem fim. O primeiro deles é um pequena conclusão que não é novidade, mas se torna cada vez mais clara aos olhos do cidadão: nossos representantes políticos fazem acordos entre si que, na maioria das vezes, falam mais alto do que os interesses mais legítimos da população.
Depois que a situação da vereadora foi se tornando um rolo compressor de mentiras e falsos dados, até os repórteres mais experientes foram tentados pela sempre cômoda atitude de assumir uma "história pronta" do tipo vilão + mocinho = final feliz. Longe disso, sempre entendi que a vereadora era apenas um bode expiatório de um plano maior, seja lá qual fosse.
Outro ensinamento que podemos tirar depois de um ano de todo essa cenário circense que tomou conta da política de Ponta Grossa é que o Leviatã é um monstro lento, pesado e pegajoso. Para quem não sabe o conceito de Leviatã foi criado pelo filósofo Thomas Hobbes para designar, entre várias outras coisas, a relação entre os cidadãos e o Estado.
Explico: depois de toda o fuzuê causado pelo sumiço/aparição/sumiço/volta à Câmara de Ana Maria, o cheiro de enxofre parecia exalar da Câmara Municipal e a população pedia com fervor a cassação da parlamentar - quase como aquelas cenas de filmes romanos que as pessoas querem jogar umas as outras ao leões e ver os bichinhos se divertirem para o nosso deleite.
Mesmo com toda essa pressão popular, Ana Maria só se afastou, definitivamente, da Casa de Leis no final de agosto - pasmem! Quase 9 meses depois do começo de toda essa via sacra que levou Ponta Grossa ao ridículo - tanto pela falta de ação como pela situação em si, meio sem pé e nem cabeça!
Depois de todo esse processo que quase levou pessoas a perderem o pouco de sanidade que tinham, Ana Maria também nos 'ensina' um pouco sobre Jornalismo Político. Como sempre disse um professor durante a minha faculdade: "Afonso, quem advinha o futuro é mãe de dinah, nós só fazemos Jornalismo".
Cá ficam alguns pequenos apontamentos sobre esse caso que marcou 2013 e levou a cidade ao noticiário nacional. Um ano após situação, fico com apenas uma dúvida: depois de todo esse disse que me disse que me falou, o que de fato fez a vereadora 'tirar férias em Acapulco' por uns dias? Tudo isso para se abster da votação que formaria a mesa diretora da Câmara e não se comprometer com nenhum grupo político?
Meus caros... ainda acho que havia caroço nesse angu.





















