Coletivo Intervozes pede suspensão do programa Agora é Tarde

Nessa quarta-feira (4), o coletivo de comunicação Intervozes encaminhou ao Ministério das Comunicações uma representação contra a Bandeirantes e o programa "Agora é Tarde", apresentado por Rafinha Bastos. De acordo com a organização, ao veicular a entrevista com o ator Alexandre Frota, a emissora banalizou e incentivou o crime de estupro.
Na ocasião, o entrevistado narra o suposto estupro de uma mãe de santo, em meio a risos do apresentador e da plateia. Exibida originalmente em maio do ano passado, a entrevista foi reprisada e gerou grande número de manifestações na web que consideraram o conteúdo ofensivo e criminoso para mulheres e representantes de religiões afro-brasileiras. Após questionameto de uma internauta, o apresentador alegou se tratar de uma história fictícia.
Na representação, o Intervozes destaca uma extensa relação de normas em vigor para a radiodifusão e demais leis do ordenamento jurídico brasileiro e pede a responsabilização da Band pelo ocorrido. Em função de reincidência, o coletivo pediu a aplicação da pena de suspensão do "Agora É Tarde".
"O episódio em questão não é violento apenas para a mulher vitimada diretamente na história, mas para todas as mulheres. E não há dúvidas sobre o impacto que conteúdos como este podem ter na naturalização, legitimação e perpetuação da violência contra a mulher em nosso país", afirma a nota.
Essa não é a primeira vez que o apresentador Rafinha Bastos foi envolvido em polêmicas relacionadas à violência contra as mulheres. Em 2011, a cantora Wanessa Camargo processou o apresentador porque ele comentou, durante edição do programa CQC, que ele "comeria ela e o bebê" ao mesmo tempo, ao se referir à gravidez de Wanessa. Bastos também foi chamado a depor sobre a declaração de que mulher feia devia ver o estupro como "oportunidade" e não "crime", durante uma peça de teatro.
Na edição dessa quarta-feira (4) do programa, o apresentador falou sobre o episódio e sua repercussão nas redes sociais. Em sua fala, Bastos pondera que talvez entrevista não devesse ter sido transmitida em uma televisão. "É o seguinte, vamos falar disso sim. A história é um pouco pesada? É, é pesada. Talvez não seja pra televisão? Talvez não seja pra televisão." Em seguida, o apresentador relativiza o assunto e ironiza ao se referir ao histórico polêmico do entrevistado com uma nova piada.
"Ninguém leva o [Alexandre] Frota num programa de televisão esperando que ele conte a história da chapeuzinho vermelho, né? A não ser que nessa história, o lobo transe com a vovozinha. E o caçador assista pelado esperando a vez dele entrar do lado ali."
Bastos afirma que assistiu novamente a entrevista ao lado de sua mulher e entendeu a interpretação que algumas pessoas deram para o episódio e pede desculpas.
"Talvez a história não tenha ficado clara, mas eu quero deixar claro e falei com ele, o objetivo não era absolutamente relatar uma violência, muito longe disso. A gente nem deixaria passar uma história dessas, e se alguém se sentiu ofendido pela história que a gente contou aqui de forma superdescompromissada, mas realmente ficou um pouco obscura essa história, eu do fundo do coração peço desculpas pra vocês". Ao final o apresentador admite que "talvez a gente tenha escorregado".
Informações do portal EBC.





















