Em 20 anos, estradas da região deixaram de ser ‘sinônimo do caos’
Concedidas à iniciativa privada em 1998, rodovias que cortam os Campos Gerais passaram por significativas transformações

No final da década de 1990 deixar Ponta Grossa, já naquela época umas das cinco maiores cidades do Paraná, em direção à capital, Curitiba, era uma missão arriscada. Na época, a BR-376 e a BR-277 tinham trechos em pista simples e esburacada e o número de acidentes fatais era altíssimo – de lá para cá, esse número caiu em 75%. No sentido inverso, em direção ao interior do Estado, a situação não era diferente: a mesma BR-376, sentido norte do Estado, e a PR-151, rodovia que leva ao interior do Paraná e ao Estado de São Paulo, também eram sinônimos de graves acidentes e, consequentemente, de mortes no trânsito.
Com a concessão realizada pelo Governo do Paraná ainda no final da década de 1990 da PR-151 e com a destinação, por parte da União, de algumas rodovias federais para o Estado, essas e outras rodovias receberam melhorias consideráveis. O pacote de obras previsto no contrato possibilitou melhorias nas condições para o fluxo de veículos e também no desenvolvimento da economia do Estado e do Brasil.
Os números da CCR RodoNorte, responsável pela concessão no trecho que interliga Norte do Paraná, Campos Gerais e capital, impressionam. Até agosto de 2017, as obras de restauração asfáltica realizadas pela empresa resultam em mais de 900 km de trabalhos, caso colocados lado a lado. A concessionária ainda apresenta 187 km de duplicação, considerando a soma dos trechos já concluídos e com os em fase de obras.
Entre as duplicações já realizadas pela CCR RodoNorte, empresa responsável pela concessão, está o trecho da PR-151 entre Castro e Piraí do Sul – a obra foi entregue em 2002 e um novo trecho da duplicação, agora entre Piraí do Sul e Jaguariaíva, foi iniciado em 2015. Para Juca Sloboda (PHS), prefeito de Jaguariaíva e presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), a duplicação da PR-151 foi fundamental para o desenvolvimento da região.
Juca lembra que até o final dos anos 1990, período em que a PR-151 estava sob a tutela do Governo do Estado, os investimentos na infraestrutura eram raríssimos e as condições de tráfego eram problemáticas. “Naquele momento me recordo que tanto Jaguariaíva como as outras cidades da região tinham dificuldades em atrair indústrias, já que o desenvolvimento está atrelado às boas condições de acesso e tráfego”, explicou o presidente da AMCG.
Outro trecho que teve uma melhoria considerável foi a BR-376, tanto no sentido entre Ponta Grossa e Curitiba, como em direção ao Norte do Estado. No caso do trajeto que leva à capital, todo o trecho é duplicado e é tido como o principal corredor de escoamento da safra dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e do próprio Paraná em direção ao Porto de Paranaguá – fotos anteriores à concessão mostram o cenário de caos enfrentado pelos caminhoneiros que utilizavam o trecho para transportar a safra.
PRE exalta segurança com investimentos
A 5ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) tem sede em Ponta Grossa e é a responsável por mais de 2,3 mil quilômetros de rodovias estaduais na região dos Campos Gerais. As melhorias nas estradas que cortam a região, entre elas a PR-151, também alteraram positivamente as condições de trabalho dos policiais rodoviários estaduais que trabalham no trecho.
Para Gustavo Brinski, capitão comandante da 5ª Companhia, toda melhoria nas condições de tráfego e sinalização das rodovias altera positivamente o cenário enfrentado pelo policial. Na instituição há 12 anos, Capitão Brinski acompanhou de perto a transição das rodovias estaduais concedidas pelo Governo à iniciativa privada no final da década de 1990.
“Nós, enquanto policiais, não temos como dizer que o serviço prestado pela concessão não contribuiu com a nossa atividade, houve um reflexo positivo, principalmente do ponto de vista da diminuição dos acidentes e na melhoria da trafegabilidade”, explicou o capitão. Entre as rodovias sob responsabilidade da 5ª Companhia está a PR-151, entre Ponta Grossa e Jaguariaíva.
O capitão lembra que com a duplicação da pista, o número de acidentes cai consideravelmente. “Quanto melhor a condição da pista, melhor será a segurança dos usuários e a duplicação contribui com ultrapassagens mais seguras”, exemplificou Gustavo. O comandante da 5ª Companhia ressalta ainda que, por vezes, a melhoria nas condições da estrada não seja acompanhada da conscientização dos motoristas. “Muitas vezes o usuário acaba abusando da velocidade”, contou o capitão.
Além de melhorar a segurança, a concessão da rodovia ainda garante o repasse da chamada ‘verba de aparelhamento’, utilizada para que os órgãos de segurança (como a PRF) invistam em equipamentos, viaturas e itens de necessidade.
O capitão Gustavo Brinski lembra que com a melhoria nas condições estruturais e de sinalização das rodovias e com as concessionárias assumindo algumas funções que antes que antes eram dos policiais, como o atendimento ao usuário, a PRE tem mais condições de fiscalização. “Com menos acidentes, por exemplo, temos mais capacidade de fiscalizar o cumprimento das leis de trânsito nas diferentes áreas da rodovia”, comentou o capitão da Polícia Rodoviária Estadual.





















