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André Mendonça confirma encontro com Vorcaro antes de relatar Master

Ministro esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário

André Mendonça
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Publicado Por Milena Batista

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça confirmou, nesta quarta-feira (2), que teve um encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em uma reunião de aproximadamente duas horas no dia 14 de março de 2025, em São Paulo.

Conforme o Metrópoles, o material do encontro do relator do caso Master com Vorcaro foi obtido pelo jornalista Paulo Motoryn e publicado originalmente na newsletter Noites Húngaras, no Substack.

Segundo o site, a aproximação de Mendonça com o banqueiro foi articulada pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

O objetivo da dupla era construir uma ponte de diálogo com o magistrado em meio ao cerco institucional que se fechava sobre o Banco Master.

Por meio de nota, Mendonça confirmou o encontro, que ocorreu antes de o ministro assumir a relatoria do caso Master no STF, em fevereiro deste ano. Segundo Mendonça, a reunião ocorreu por iniciativa do empresário e ele “se limitou a ouvi-lo sobre precatórios”.

“Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto”, disse.

Leia a nota de Mendonça na íntegra:

“Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.

Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.

Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.

Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade.”

Crise no STF

A divulgação do material ocorre um dia após a divulgação do relatório da Polícia Federal que mostra trocas de mensagens entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Caberá ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidir se o caso será levado ao plenário.

O relator, ministro André Mendonça, indicou que é esse o caminho que deseja e defende que ele seja feito “de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado”.

O caso abriu uma crise no Supremo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se manifestou pela nulidade do documento. Segundo ele, Mendonça não poderia ter solicitado à PF um relatório sobre Moraes e teria de ter levado a situação ao plenário do Supremo, em primeiro lugar.

Moraes descobriu que Mendonça havia determinado à PF que revelasse quem era o interlocutor de Vorcaro em uma conversa na qual eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A PF averiguou que se tratava de Moraes. No diálogo, revelado pela coluna de Andreza Matais, Vorcaro pede a Moraes “proteção” de Gonet e Andrei Rodrigues.

O ministro acusou Mendonça de direcionar as investigações para ele. Para investigar um ministro do Supremo, é preciso ter a concordância de todos os magistrados da Corte.

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