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Com PCC e CV no radar dos EUA, Vieira e Rubio falam sobre crime organizado

Governo Lula vê risco à soberania em equiparação de facções a organizações terroristas

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira -

Publicado por Iolanda Lima

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Com as facções brasileiras na mira dos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversaram neste domingo (8) sobre uma parceria para o combate ao crime organizado.

O governo Lula tenta evitar que os EUA classifiquem facções, como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas. Para o Brasil, a medida impõe risco à soberania e ao país graves consequências.

O tema deve ser um dos pontos centrais de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. A data sugerida pelo governo brasileiro era o dia 16 de março. O conflito dos EUA com o Irã, porém, adiou a visita, ainda sem previsão de ocorrer.

A tentativa de equiparar facções criminosas a grupos terroristas é motivo de preocupação no governo Lula, que vê a medida como um risco à soberania.

Se os EUA declararem unilateralmente facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como terroristas, a avaliação é de que uma brecha seria aberta, facilitando uma intervenção militar no país e a aplicação de novas sanções, inclusive financeiras.

Em maio de 2025, representantes do governo Trump foram recebidos por técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública e ouviram que, para o Brasil, facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) não podem ser classificadas pela legislação do país como organizações terroristas, e sim como criminosas.

Depois disso, o Congresso aprovou a Lei Antifacção e agora avança com a PEC da Segurança Pública. As novas legislações têm sido usadas como argumentos pelo governo para desestimular a equiparação das facções a organizações terroristas.

O próprio Lula, em conversa com Trump em dezembro, já havia tratado do combate às facções. O objetivo do governo é atrair os EUA para uma parceria no combate ao crime organizado.

A preocupação é que o tema, uma das bandeiras reivindicadas pela oposição, pudesse ser usado em mais uma tentativa de contaminar o diálogo entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca.

Ao se antecipar no debate e pedir a cooperação de Trump, Lula, segundo assessores, encurta o espaço para a ação bolsonarista, que frequentemente acusa o governo petista de ser leniente com o crime organizado. Além disso, os dois países têm um acordo histórico de cooperação nessa área.

Em seu discurso em setembro na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Lula já havia demonstrado preocupação com a iniciativa da gestão de Donald Trump de enquadrar grupos criminosos latino-americanos em atividades que, pela legislação local, podem ser associadas ao terrorismo. Não por coincidência, o tema também virou bandeira da direita no Brasil.

"É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo. A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas. Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento", disse Lula no palco da ONU.


Com informações da CNN Brasil 

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