Diocese de Ponta Grossa contribui com a saúde coletiva ao promover a fé na sociedade
Médico e conselheiro do Grupo aRede relaciona a atuação centenária da Diocese de Ponta Grossa a um processo de regeneração social, destacando a fé como instrumento de equilíbrio, acolhimento e transformação comunitária

O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemór Netto, avalia que a celebração dos 100 anos da Diocese de Ponta Grossa representa muito mais do que uma data religiosa, mas um marco de regeneração social e fortalecimento comunitário nos Campos Gerais.

Para ele, a atuação da Diocese ao longo de um século contribuiu diretamente para a construção do tecido social de Ponta Grossa, especialmente por meio das comunidades paroquiais, ações de acolhimento e presença nas regiões mais vulneráveis da cidade.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa:
"Como Conselheiro de Saúde do Grupo aRede, proponho olharmos para a celebração dos 100 anos da Diocese de Ponta Grossa muito além de um evento institucional. Faço um convite para enxergarmos nossa cidade sob uma ótica biológica: Ponta Grossa não é apenas um mapa de asfalto e concreto; ela é um corpo vivo que respira, cresce e, devido ao seu acelerado metabolismo urbano e industrial, muitas vezes se fere. Neste momento, precisamos analisar o impacto de um "remédio" vital para nossa saúde coletiva: a fé como um autêntico motor de regeneração tecidual social.
A Balança entre Cicatrização e Regeneração Social
A ciência médica ensina que, após uma lesão profunda, o corpo toma um de dois caminhos: produzir uma cicatriz ou promover a regeneração. A cicatriz é um "remendo" rápido que isola o problema para evitar infecções, mas deposita um tecido fibroso, endurecido e sem a vitalidade original. Já a regeneração verdadeira restaura a função plena, devolvendo vida ao órgão afetado.
A história da nossa Diocese ilustra esse processo. A demolição da antiga Catedral em 1978, devido a problemas estruturais, foi uma "cirurgia traumática" necessária em um momento de crescimento. Contudo, a cidade não permitiu que aquele espaço se tornasse uma cicatriz inativa; ela promoveu uma regeneração que culminou em uma nova estrutura de luz e acolhimento. Em áreas marcadas pela exclusão e solidão, corremos o risco de criar apenas remendos isolantes; a Diocese atua para que ocorra a regeneração do tecido comunitário.
A Fé como Imunomoduladora do Organismo
Na medicina regenerativa avançada, o uso de estímulos corretos prepara o "berço da ferida", ditando se o corpo fará uma fibrose ou se regenerará a estrutura celular. De forma análoga, ambientes de abandono "inflamam" o metabolismo do nosso organismo social, enquanto a esperança o acalma.
A vida paroquial atua exatamente nesse preparo. As atuais 640 comunidades da Diocese operam sistemicamente como uma imensa rede de gânglios nervosos encarregados de manter a homeostase — o equilíbrio orgânico e vital — nos Campos Gerais. A fé, aqui, não é um conceito abstrato, mas um regulador do ambiente tecidual social que combate a inflamação do desespero.
Angiogênese e "Sangue Novo" nas Periferias
Na biologia, a angiogênese é a formação de novos vasos sanguíneos para irrigar com nutrientes e oxigênio as áreas afetadas. Do ponto de vista fisiológico urbano, a criação das cinco novas paróquias em Ponta Grossa (em regiões como Contorno e Uvaranas) transcende o sentido religioso. Essa expansão funciona como novos capilares gerados para levar oxigênio espiritual e assistência para extremidades que corriam o risco de ficar isquêmicas ou esquecidas.
Prognóstico: A Saúde Integral
Historicamente, a Igreja funcionou como nossa primeira "rede de fisioterapia social", nutrindo espaços onde o Estado não alcançava. Como define a Organização Mundial da Saúde, a saúde verdadeira é um estado de completo bem-estar físico, mental e social.
Para os próximos 100 anos, a "receita" é clara: precisamos continuar valorizando a ciência e a tecnologia médica para tratar nossas enfermidades biológicas, mas é indispensável nutrir nossa espiritualidade. A fé voltada para a ação é o tecido conjuntivo que impede que o corpo social de Ponta Grossa se rompa. A fé não substitui a medicina, mas prepara fundamentalmente o terreno para que a cura e a regeneração profunda da nossa sociedade efetivamente aconteçam".
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
Projeto do Portal aRede relembra trajetória da Diocese
Como parte das celebrações do centenário da Diocese de Ponta Grossa, comemorado em 10 de maio de 2026, o Grupo aRede lançou o projeto especial “100 anos da Diocese de Ponta Grossa”. A iniciativa reúne vídeos, reportagens e depoimentos sobre a trajetória da Igreja na região ao longo do último século.
Leia um resumo da notícia
- Mário Montemór defende que os 100 anos da Diocese de Ponta Grossa representam um processo de regeneração social e fortalecimento comunitário nos Campos Gerais.
- O médico compara a atuação da Diocese ao funcionamento de um organismo vivo, afirmando que a fé ajuda a combater a exclusão, a solidão e o “adoecimento” social da cidade.
- O artigo destaca o papel das paróquias e comunidades religiosas na promoção do acolhimento, equilíbrio social e assistência às regiões mais vulneráveis de Ponta Grossa.





















