Desde o ano passado, a realidade de agricultores familiares de Castro mudou. E para melhor. Além de conseguir aumentar a produção de verduras e legumes, a qualidade dos produtos melhorou, gerando mais renda para as famílias. O avanço foi possível graças à implantação do Programa de Irrigação e Cultivo Protegido para Agricultura Familiar, desenvolvido pela Prefeitura, através da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Agronegócio. Pelo programa, oito pequenos produtores foram contemplados com todo o material necessário para a construção de uma estufa de 55 metros de comprimento por seis metros de largura, no estilo túnel alto e mais três túneis baixos de 33 metros cada um deles, além do sistema completo de irrigação, inclusive motobomba.
Entre os produtores beneficiados está o casal Maria da Cunha Odorski e Paulo Odorski. Moradores da localidade de Três Pinheiros, há anos eles se dedicam à horticultura. Além de fornecer a produção para programas federais como Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), eles comercializavam para restaurantes e mercados. Mas, a qualidade e quantidade colhida sempre eram dúvidas para o casal. “Dependia muito das condições do tempo. Uma geada podia acabar com a produção no inverno”, explica Maria. Com as fortes chuvas registradas nos últimos meses a produção também estaria significativamente comprometida.
Mas, felizmente, a realidade para o casal de produtores é bem diferente, graças à estufa que foi construída na propriedade. “Eu não tinha a experiência de trabalhar com este sistema. Mas é uma maravilha! O desenvolvimento é mais rápido, a produção é maior e muito melhor”, destaca Paulo, que com a esposa cuida da estufa com vagem, pimentão verde, pepino, abobrinha, alface e tomate. Depois de finalizar a colheita de vagem, o casal está colhendo os primeiros frutos dos tomateiros plantados na estufa. Os pés estão carregados e a expectativa é das melhores. “Em um canteiro fora da estufa eu havia plantado 400 pés de tomate. Se consegui colher dois quilos foi muito. A chuva atrapalhou demais, os pés não carregaram e a maioria dos tomates estava estragada. Já na estufa plantei 230 pés, que estão lindos: cheios de tomates graúdos e sadios. Devo colher facilmente perto de dois mil quilos”, comemora o agricultor.
A satisfação é tanta que o casal pretende arrendar a área de lavoura da propriedade, construir uma nova estufa e se dedicar exclusivamente à horticultura. “Com a estufa temos mais garantia na produção, enquanto a lavoura é muito vulnerável. Por mais de um ano tivemos que tirar o lucro da horta para cobrir os prejuízos da roça. Agora, com a estufa, as condições de trabalho são melhores, a produção é mais garantida e a rentabilidade é maior”, frisa Paulo.
Dilson de Oliveira, também de Três Pinheiros é outro produtor que está contente com produção de hortaliças em estufa. Também beneficiado pelo programa municipal, ele produz alface, tomate, vagem, beterraba e rúcula. “Com a estufa eu consegui dobrar a produção, controlar as pragas e produzir alimentos de maior qualidade. É outra vida! Sem contar que a Secretaria de Agricultura presta a assistência que a gente precisa”, elogia.
Projeto
Para o início do programa, foram selecionados oito pequenos produtores rurais que se enquadraram nos critérios de seleção. Para participar do programa, os produtores precisavam ter cadastro na Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Agronegócio; declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP); comprovação de integrante de alguma das associações legalmente constituída do interior do município; comprovação de participação em programas federais como Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); comprovação de renda mensal para avaliação da comissão; e atendimento aos requisitos do artigo 3º da Lei Federal 11.326/2006. A seleção dos produtores foi feita por comissão técnica formada por profissionais com formação e conhecimento técnico na área e integrantes da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Agronegócio.
O secretário da pasta, Mauricio Copacheski, explica que a intenção é ampliar o projeto neste ano. “O foco são os agricultores familiares, que fornecem alimentos ao PNAE e PAA”, frisa. Conforme o secretário, tendo em vista as características do município, com ocorrência de períodos de estiagem e inverno rigoroso – com incidência de geada – o plantio de maneira protegida faz a diferença. “Neste período de chuva, boa parte dos produtores que fazem o plantio convencional – sem proteção – perderam toda a produção. Por outro lado, quem possui estufa conseguiu produzir bem. Assim, além de permitir que os produtores mantenham a produção em grande escala no período de inverno ou com muita chuva, o programa permite o fornecimento de produtos para a merenda escolar que não eram possíveis em determinadas épocas do ano”.