MST ocupa fazenda da Fundação ABC em Castro

Cerca de 150 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) ocuparam na manhã de hoje (24) a fazenda Capão Cipó na cidade de Castro, município na região dos Campos Gerais. Segundo a assessoria de imprensa do MST, a ocupação aconteceu por volta das 05h na fazenda ocupada pela Fundação ABC, voltada às pesquisas agropecuárias para as Cooperativas Capal (Arapoti), Batavo e Castrolanda, na região dos Campos Gerais.
Cerca de 150 famílias, entre homens, mulheres e crianças, estão na Fazenda situada a sete quilômetros de Castro, e começam a instalação de barracos de lona. Segundo a coordenação do movimento, as terras onde está instalada a Fundação ABC são de propriedade da União, que, desde 30 de abril de 2014, aguarda a reintegração de posse. Isto é, através de medida liminar, a União pede que a Fundação ABC deixe as terras, por ter encerrado período de comodato, segundo o MST.
A ocupação da área visa chamar atenção do Governo Federal e exigir avanços na reforma agrária, que, segundo a coordenação do movimento, “está completamente paralisada”. “Queremos avançar na reforma agrária. As terras da Fundação ABC são de propriedade da União. Por isso, chamamos atenção desse governo que faz parcerias com a iniciativa privada e não avança na reforma agrária”, diz a nota enviada a imprensa.
A Fazenda Capão Cipó possui cerca de 300 hectares de área. O movimento explica que está disposto a fazer parcerias para dar continuidade ao desenvolvimento de pesquisas agrárias no local, mas desde que seja voltado à agroecologia.
As famílias sem terra acampadas na Fazenda Capão Cipó vieram dos municípios de Castro, Lapa, Teixeira Soares, Ipiranga e Ponta Grossa. A coordenação do movimento disse que a ocupação da área é considerada estratégica também por estar perto da cidade de Castro. “Queremos ocupar áreas localizadas perto dos centros urbanos, para garantir a produção e o abastecimento de alimentos agroecológicos das cidades”, informa a nota.
Outro lado
Em nota divulgada durante a tarde, a Fundação ABC informou que:
- Uma parte da fazenda vem sendo utilizada para projetos de pesquisa agropecuária há mais de 40 anos, através de um convênio firmado entre o Ministério da Agricultura (MAPA) e a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda (cooperativa fundada por três importantes cooperativas da região: Frísia, Castrolanda e Capal).
- Quando foi criada a Fundação ABC, em 1984, também pelas cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, a CCLPL deixou a cargo da fundação ABC a continuação dos trabalhos de pesquisa naquela propriedade, com o consentimento do MAPA.
- Vale ressaltar que muito das grandes conquistas de produtividade obtidas no estado do Paraná se devem aos trabalhos desenvolvidos naquela fazenda, através da Fundação ABC, que se trata de um instituto de pesquisa sem fins lucrativos. Naquela área, há trabalhos de pesquisa com mais de 30 anos, que trazem importantes informações aos nossos pesquisadores, assim como outros de média e curta duração.
- Quando a Fundação ABC foi notificada pela Justiça Federal a devolver a área, no ano passado, imediatamente entrou em contato com o MAPA, na tentativa de manter o convênio junto a instituição, já que se trata de uma importante área de pesquisa para o desenvolvimento da agricultura no Paraná, visto que trabalhos realizados ali, também são realizados em conjunto com instituições públicas e federais, como universidades e institutos de pesquisa.
- Além disso, em outra parte da fazenda funciona o Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP), também criado há muitos anos pela CCLPL, onde vários pecuaristas, de todo o Paraná, inclusive famílias assentadas, recebem treinamento para desenvolvimento da atividade em suas propriedades.
- Diante da situação ocorrida neste dia, a Fundação ABC vai continuar o diálogo com o Ministério da Agricultura, a fim de conseguir retornar aos trabalhos de pesquisa que estão em andamento naquela fazenda, entendendo que o trabalho realizado lá é de grande importância para o desenvolvimento da agricultura, não só estadual, mas também para todo o país.





















