Votação de impeachment pelo Plenário deverá ser mantida
Parlamentar não vê efeito prático na decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, de anular a votação da admissibilidade do processo de impeachment
Senador não ve efeito prático
na decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, de anular a
votação da admissibilidade do processo de impeachment naquela Casa
O presidente da
Comissão Especial do Impeachment, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), afirmou
nesta segunda-feira (9) que a votação da admissibilidade do pedido de
impeachment da presidente Dilma Rousseff no Plenário do Senado, prevista para
quarta-feira (11), deverá ser mantida. Ele disse não ver efeito prático na
decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, de anular a votação
da admissibilidade do processo de impeachment naquela Casa.
Maranhão resolveu anular sessões da Câmara, incluindo a que
decidiu pela admissibilidade do impeachment, no dia 17 de abril, ao acolher
recurso da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo Raimundo Lira, a decisão de Maranhão tem efeito
“essencialmente político”, já que o processo de impeachment seguiu na Câmara o
rito previsto na Lei 1.079/1950 [Lei do Impeachment], o Regimento Interno e as
normas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“O presidente que presidiu a sessão da admissibilidade [Eduardo
Cunha] estava no pleno exercício do seu direito, de suas funções. Ele foi
afastado da função de presidente a posteriori. Não tem como mudar o calendário
do tempo. Ele agora jamais poderia presidir uma sessão da Câmara dos Deputados.
Mas à época, repito, ele estava no pleno exercício dos seus direitos
constitucionais”, explicou Lira, em
entrevista à Rádio Senado.
Na quinta-feira passada (5), o ministro do STF Teori Zavascki
determinou o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara e do mandato
de deputado, decisão confirmada de maneira unânime, no mesmo dia, pelos demais
ministros.
Para Raimundo Lira, a decisão de Waldir Maranhão “não tem nenhum
valor”. “Não há brecha jurídica para o presidente [da Câmara] tomar uma decisão
dessa magnitude. É apenas uma decisão, repito, essencialmente política, sem
efeito prático”.