Projeto da Frísia com Inteligência Artificial otimiza produção de leite
Desenvolvida em parceria com a ‘Cowmed’, a iniciativa ‘Monitore’ foi implantada em mais de 100 propriedades. Colar tecnológico acompanha a saúde dos animais, trazendo ganhos produtivos

A região dos Campos Gerais é referência nacional em produção de leite, tendo, em sua bacia leiteira, municípios que lideram o ranking nacional em produtividade. Tudo isso é fruto de muito trabalho, especialmente das cooperativas agroindustriais.
A Frísia é um grande exemplo, sediada em Carambeí, ela é considerada a segunda cooperativa mais antiga do país, com história centenária. Somente seus cooperados produziram quase 370 milhões de litros de leite em 2025, valor que corresponde a cerca de 1% da produção nacional.
“Hoje, a média de produção da Cooperativa Frísia está em torno de 36 litros por animal, uma média considerada muito alta em comparação com a produtividade nacional. O crescimento médio da cooperativa, ao ano, é de 7%, um crescimento orgânico”, revela Anderson Radavelli, supervisor de Zootecnia da Frísia.
Para manter essa média de crescimento, além da genética desenvolvida ao longo das décadas, o acompanhamento técnico e o desenvolvimento de projetos são fundamentais. Entre os mais recentes está o Projeto Monitore, que começou a ser implantado em 2025, destacando-se como um projeto modelo nacional. Ele consiste no acompanhamento dos animais por inteligência artificial, em parceria com a empresa Cowmed. No total, são mais de 23 mil vacas monitoradas, em mais de 100 propriedades de cooperados.
O colar faz o monitoramento contínuo do comportamento das vacas, coletando dados de movimentação, ruminação, tempo de descanso, padrões de ofegação, entre outras medições. As informações são disponibilizadas em plataforma digital, acessível pelos celulares dos cooperados e equipe técnica da Frísia. “Então, através de algoritmos, o colar vai fazendo uma leitura do comportamento desse animal e vai nos trazer informações”, acrescenta Anderson Radavelli.

Tudo isso traz mais facilidade aos cooperados e produtores, por antecipar informações dos animais, como explica Daniel Henrique Kugler, Gerente Operacional da Chácara Gehrmann, onde há 297 animais monitorados. “O dia a dia na propriedade, a partir da implantação dessa tecnologia, ficou muito mais fácil. Os colares são uma maneira de ouvir os animais, dados de ruminação, temperatura, estresse. Isso facilita muito a identificação de doenças, cios, protocolos reprodutivos, listas reprodutivas”, diz.
Após a implantação, o aplicativo se tornou uma rotina para os cooperados e colaboradores nas propriedades, como explicam Dick Borger e Iolanda Oliveira. Eles são sócios e integrantes do programa de sucessão familiar da Chácara Tjemara, localizada em Carambeí, uma das participantes do projeto. As facilidades trazidas pela tecnologia permitirão à chácara ampliar o rebanho de 200 para 320 animais. “Atualmente, a gente não se vê mais sem o sistema de monitoramento dentro da propriedade. Nós temos um plantel onde já não é possível, de forma convencional, estar trabalhando e fazendo gestão”, diz Dick.

Anuário 'Caminhos do Paraná'
Este conteúdo integra a 17ª edição do anuário do Grupo aRede, intitulado "Caminhos do Paraná", cujo tema central é "A Força do Agro". A publicação mudou o nome de "Caminhos dos Campos Gerais" para "Caminhos do Paraná", expandindo o foco para todo o estado. Com mais de 200 páginas, esta é a maior edição da história do projeto editorial. O livro detalha a força do agronegócio paranaense, abordando tecnologia, sustentabilidade e cooperativismo diante de centenas de lideranças regionais.





















