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Produtores de milho defendem investimentos em armazéns e irrigação

Entidades do setor apontam descasamento com o Plano Safra e alertam para um déficit de armazenagem que ultrapassa 130 milhões de toneladas, gerando perdas bilionárias no campo

Produtores pleiteiam a ampliação de silos no país
Produtores pleiteiam a ampliação de silos no país -

Publicado por Eduarda Gomes

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Produtores de milho defenderam a criação de um programa de longo prazo voltado para a construção de silos, armazéns e investimentos em irrigação de forma descolada das linhas de crédito do Plano Safra. A medida busca reduzir o déficit de armazenagem no país e trazer maior previsibilidade para a produção agrícola. As informações foram divulgadas no Globo Rural.

Segundo Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e coordenador da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as linhas tradicionais do Plano Safra não viabilizam a construção das estruturas a tempo das colheitas.

Como a contratação dos recursos costuma começar em julho e agosto, não há tempo hábil para a execução das obras antes da safra, o que faz com que o agricultor pague juros sobre o crédito tomado sem conseguir utilizar a benfeitoria de imediato. Diante disso, o executivo sugeriu a implementação de um plano plurianual, fora do formato anual do Plano Safra.

Atualmente, o déficit de armazenagem no Brasil supera 130 milhões de toneladas de grãos. A discrepância ocorre porque a produção agrícola cresceu a um ritmo médio de 17 milhões de toneladas anuais nos últimos dez anos, enquanto a capacidade dos armazéns evoluiu apenas de 5 a 6 milhões de toneladas por ano.

Bertolini alertou que o cenário caminha para um gargalo severo caso esses ritmos sejam mantidos, acrescentando que há ociosidade na indústria nacional de equipamentos de armazenagem. Ele ressaltou também que o avanço da industrialização dos grãos, impulsionado por novas usinas de etanol de milho, exigirá uma capacidade de estocagem ainda maior no país.

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, reforçou que a falta de infraestrutura nas propriedades, onde estão localizadas apenas 15% das estruturas do país, gera um desperdício de 10% na produção de soja e milho. Essa perda é estimada em 28 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a R$ 42 bilhões. Para superar o problema, Rosa destacou a necessidade de criação de um fundo garantidor que libere recursos para custeio, maquinário e armazenagem, mitigando os gargalos impostos pelos juros altos e pela falta de limites de garantia por parte dos produtores.

Em resposta às demandas durante fórum realizado em Brasília, o secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, pontuou que o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para estruturas de até 12 mil toneladas é a linha mais barata do Plano Safra 2026/27 para médios e grandes produtores, contando com taxa de 8% ao ano, R$ 2,5 bilhões em crédito e limite de R$ 50 milhões por tomador. O ciclo conta ainda com outros R$ 3,4 bilhões para estruturas maiores a juros de 9,5% ao ano. Araújo ressaltou que, apesar de mais de R$ 60 bilhões já terem sido alocados na história do PCA, os recursos disponíveis historicamente nunca foram acessados em sua totalidade pelo setor.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Proposta de plano plurianual: A Abramilho defende um programa de financiamento contínuo e desvinculado do Plano Safra para que obras de silos e irrigação acompanhem o calendário real das colheitas.

- Prejuízo bilionário por gargalo: Com déficit de armazenagem superior a 130 milhões de toneladas, a Aprosoja estima perdas anuais de R$ 42 bilhões (28 milhões de toneladas) por falta de silos nas fazendas.

- Posicionamento do governo: O Ministério da Agricultura argumenta que dispõe de R$ 5,9 bilhões em linhas para armazenagem no ciclo 2026/27, ressaltando que o setor raramente esgota o montante financeiro ofertado.

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