Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano | aRede
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Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano

Retração é puxada pelo impacto de sobretaxas sobre produtos nacionais, e déficit comercial do Brasil com os norte-americanos dispara 122,3% entre janeiro e julho

Cenário de retração às altas tarifas
Cenário de retração às altas tarifas -

Publicado por Eduarda Gomes

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos registram queda de 12,2% no acumulado de janeiro a julho de 2026, totalizando US$ 21 bilhões (R$ 108,4 bilhões). O resultado representa uma redução de aproximadamente US$ 2,9 bilhões (R$ 14,9 bilhões) em relação ao mesmo período do ano anterior, levando o volume de vendas ao mercado norte-americano ao patamar mais baixo dos últimos três anos. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, com base em levantamento da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil) elaborado a partir de dados do Comexstat.

A retração das exportações é mais intensa nos produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, tarifas que variam atualmente de 25% a 37,5%, após atingirem picos de até 50%. As vendas desses itens específicos despencaram 31,5% no ano, caindo de US$ 4,6 bilhões (R$ 23,7 bilhões) para US$ 3,2 bilhões (R$ 16,5 bilhões).

De acordo com o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os dados revelam uma perda expressiva de dinamismo no comércio bilateral. "Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias", destacou o executivo.

Apenas no mês de julho de 2026, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 3,6 bilhões (R$ 18,5 bilhões), uma queda de 5% em comparação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a breve recuperação registrada em junho, quando as vendas haviam subido pela primeira vez desde agosto do ano passado, mês em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.

Em julho, os produtos submetidos às maiores sobretaxas recuaram 25,7%, enquanto os itens alcançados pela Seção 232 subiram 21,5%, impulsionados pelas vendas de aço e alumínio. A retração no acumulado do ano afeta itens como sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas, além de semimanufaturados de ferro e aço sujeitos à Seção 232.

No fluxo oposto, as importações brasileiras de produtos norte-americanos voltaram a crescer em julho após sete meses seguidos de queda, registrando alta de 0,6% para US$ 4,3 bilhões (R$ 22,2 bilhões). O descompasso entre a queda nas vendas e a estabilidade nas compras resultou em um déficit comercial para o Brasil de US$ 639 milhões (R$ 3,2 bilhões) em julho. No acumulado de janeiro a julho, o saldo negativo brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões (R$ 11,8 bilhões), um salto de 122,3% frente ao mesmo período de 2025.

O desempenho em relação aos Estados Unidos contrasta com o comércio exterior brasileiro global. Enquanto as vendas aos EUA caíram 12,2%, as exportações totais do Brasil para o restante do mundo cresceram 10,5% no mesmo período. Ainda assim, os EUA permanecem como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China.

Entre os dez produtos mais vendidos do Brasil aos norte-americanos no ano, quatro registraram retração para os EUA ao mesmo tempo em que cresceram nas vendas para outros países. É o caso do petróleo bruto (queda de 25,5% para os EUA), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%). Além disso, dos dez principais itens do grupo de produtos sujeitos às sobretaxas, metade apresentou queda nas vendas acumuladas do ano.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Queda nas exportações e déficit recorde: As vendas de produtos brasileiros para os EUA caíram 12,2% no ano, levando o déficit comercial do Brasil com o país a atingir US$ 2,3 bilhões entre janeiro e julho de 2026 (alta de 122,3%).

- Impacto severo das sobretaxas: Itens submetidos a tarifas elevadas sofreram retração de 31,5% no acumulado do ano, com perdas expressivas em setores como madeira, fumo, granito, sucos e derivados de ferro e aço.

- Contraste com o mercado global: Enquanto o comércio com o mercado norte-americano encolheu, as exportações totais brasileiras para o restante do mundo avançaram 10,5% no mesmo período.

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